sábado, 29 de novembro de 2014

MORRETES - O passado sem ruínas - por Stella Maris Cavagnolli

- MORRETES - 
O PASSADO SEM RUÍNAS.
Capa do livro: Tela - Mirtillo Trombini

Autora: Stella Maris Cavagnolli - 1995


CAPA - ÓLEO SOBRE-TELA - "A FUNDAÇÃO DE MORRETES", POR MIRTILLO TROMBINI.

ILUSTRAÇÕES EM BICO DE PENA - MIRTILLO TROMBINI
COMPOSIÇÃO: CID & ELIANE.

DIREITOS DESTA OBRA RESERVADOS À AUTORA GRÁFICA E EDITORA STELLA MARIS - MORRETES - PARANÁ - BRASIL.

           
MORRETES O PASSADO SEM RUÍNAS  

HISTÓRIA

Conteúdo
01-Por que o nome Morretes;
02-Ocupação do litoral paranaense - Sesmarias;
03-Termo da fundação de Morretes;
04-Minas de ouro;
05-Rio Cubatão;
06-Influências do Nhundiaquara;
07-Hitupava;
08-Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto;
09-Porto Real;
10-As transformações na economia do Brasil;
11-O desenvolvimento econômico de Morretes;
12-A erva-mate;
13-O ciclo econômico da erva-mate;
14-Porto de Cima;
15-Legislação das colônias;
16-Colonização - 1879;
17-Legado dos nossos antepassados;
18-Folclore em Morretes;
19-Prato típico;
20-A estrada de ferro;
21-Educação;
22-Relatório da Assembleia Legislativa do Paraná;
23-Localização e limites do município.

                               
Dedicatória - por Stella Maris Cavagnolli

 - À MORRETES, QUE TANTO AMO!
  AO MEU PAI,
SEBASTIÃO CAVANHOLLI,
QUE TANTO A AMOU!


Este livro, por Valfrido Pilotto.
(Academia Paranaense de Letras)
Logo à primeira vez, sentindo evolarem-se nas festivas luzes e na fragrância das mimosas de Morretes umas notas ultra-recomendáveis de puridade, fiz aquela adivinhação fácil: Ali estava uma especial simpatia de mulher a acender os olhos a todo um sorriso ainda jovem, pagando dívidas de amor a uma cidade diferente. Apenas quem ainda não houvesse, um dia, defrontado com essa predestinada das letras fascinantes, exatinhas e modelares, poderia cair em equívoco. Era, de fato, aquela desvelada e utilíssima assessora do prefeito Sebastião Cavagnolli, quem remarcava a presença. Não valiam somente por esse ilustre e esmerado pai e a intensa administração, tanta incansabilidade e devoção dela. Algo mais genuíno e precioso havia, do que o constatado primor de descendência e coração. Ambos trabalhavam, sob incentivos quase aristocráticos em favor daquela urbs antiga mas jamais caída no comum caquetismo de certas ruínas a desafiarem o bom gosto e a usança. A gente já sempre nos sentíamos bem, seguramente renovados e ansiosos dentro d/aquela morna fidelidade às agrestes tradições e sutis exigências do bem-apreciar. Agora, naquela caprichada oportunidade, se ia conhecer uma como experiência mágica do pai e da filha: esparramarem prodígios de governar e influir em prol da "rainha do Nhundiaquara"e de quantos vassalos aí representavam a proficuidade e a gentileza. Aliás, isso se repetia. Cada recepção enriquecida pela presença de Cavagnolli e Stella Maris, se revestia e crescia, depois, em saudade. Ele não esquecera uma vírgula nem um propósito para compensar o prestigiamento dos seus munícipes. Ela nunca se conformara com o monótono, e logo se explicara todo um roseiral de encantos, onde a vaidade pelo passado e pela alma citadina extravasava contagiantes sonhos filigranados até aos sublimes limites da evolução e da crença. Eis, porém, que determinadas fadas têm bom gosto nas suas preocupações. A menina esperta cujos devaneios se sublimavam com o apego às delícias provocadas pelo Nhundiaquara nos pés descalços dela, contaria, já adolescente, com inspirações atordoantes: Historiar verdades de ontem e de hoje, celebrar o aconchego e a poesia morretenses a envolverem o silêncio e a afetividade daqueles trópicos amados. Corrido um pouco de tempo, mais se conscientizaram os exímios interesses de Stella Maris desvendando, em volta e no pretérito, o tesouro a merecer desvelos. Ninguém passou a cultivar mais aquele mundo estuante de beleza e de prodigiosas incitações. Os alfarrábios municipais e as milagrosas curiosidades erigiram a intelectual privilegiada, a comentadora fiel, a impoluta intérprete do acervo nitidamente histórico e social, até empolgante, consubstanciado naquelas aparentes ruínas e estóicas vivências de toda uma pura afirmação de trabalho enraizado em clarividência civilizadora. Com ousadia excelsa é que Stella Maris foi semeando as suas descobertas e alegrias, as suas obrigações cívicas e os seus espontâneos compromissos com as figurações daquele antigamente a dinamizar, num invejável predestino, o presente e o futuro. As laudas da inteligente escritora e poetisa pulsam em triunfo, como informes reaparelhados e de convidativos acenos redentores. Os leitores deste livro incontível na sua missão preservadora e edificante, interromperão o deletrear, a fim de satisfazerem meditações a respeito da feliz desenvoltura. A insuperável morretense soube ser prestativa e empolgante ao traçar um panorama assim variado e de complacentes limites. Queremos dizer: ao usar, não raro, tanta singeleza para que o retrato de uma gente autêntica e sensibilíssima merecesse, ontem e repetisse hoje, a sua inclusão no mais consagrador patrimônio a significar a culminante brasilidade. "Esse lugar fechado, onde rios descem as serras para purificar o ímpio, e quando tudo passa, todos se unem, irmanados com medo que levem com eles os seus ideais", - está dito algures, nas convictas florescências de Stella Maris. Sim, morretenses sempre irmanados para prevalecerem os seus nobílimos ideais.




 

Por Stella Maris Cavagnolli

Um vale com matizes suaves e filetes de prata, contornando córregos e rios, é o que se pode observar quando se olha, do alto, a encantadora e pequenina cidade tanto a extasiar-me. Parece que Deus, de vez em quando, vem até ela e, pegando uma aquarela, sai pincelando, de lilás em dezembro, quando os jagatirões florescem, e de amarelo em março e abril; aleluieiras se abrem em flores. Quando pela manhã, as gotas de orvalho dão um toque de magia, parecendo pedrinhas preciosas entre flores e folhagens. As noites de lua-cheia são indescritíveis. A luminosidade das águas em contraste com o verde escuro das matas nos dá a sensação de estar sempre em sintonia com a natureza. O gorgeardos pássaros transforma-se numa sinfonia, parecendo uma legião de anjos nos abrindo os portais para os jardins do Eden, com suaves cantos. Na primavera, o perfume envolvente dos jasmins, com as flores de laranjeiras e uns sem números de outras flores, como ibiscos e marias-sem-vergonha, ou beijinhos da serra como aqui chamam, fazem da minha terra a Graciosa Morretes que tanto me encanta e que fez com que tantos se fascinassem por ela, como meu pai. o qual, quando Prefeito Municipal, deu uma grande ajuda a Deus, cumprindo a tarefa do homem aqui na terra, embelezando ainda mais o pedaço de chão que tanto amou, a ponto de até sua vida lhe ofertar com avidez e plenitude. No decorrer da Serra do Mar, o cheiro da terra e do verde, se mistura com o marulhar das cascatas onde as águas cristalinas jorram em abundância, contrastando com o calor que emana do seu solo. Jamais eu poderia deixar de registrar o que sinto e o que aprendi sobre o meu torrão natal. Sei que muitos não têm conhecimento de sua formação; como este vale encantado pôde se transformar de um lugarejo habitado em tempos remotos, chegando a ser uma grande e próspera cidade, berço de grandes homens, de comércio influente, grandes minas de ouro, os engenhos de erva-mate, a cana-de-açúcar, os italianos que aqui chegaram, portugueses, alemães, japoneses, todos até hoje aqui permanecendo com seus sonhos e suas ansiedades de progresso.

01-POR QUE O NOME MORRETES

A explicação lógica é existirem altas montanhas, circundando o beira-mar paranaense. São os grandes paredões separando, em quase toda a costa. E a famosa Serra do Mar, hoje tão devastada e quase sem vegetação natural; a Mata Atlântica. Essas cordilheiras levaram diversos nomes, de acordo com sua posição, formação e localização. Seus cumes serviam de baliza para os navegantes chegarem aos portos e enseadas; como são a Serra da Prata, do Marumbi, da Mãe Catira, da Graciosa e de Ariraia. Até ao meio das alturas das primeiras cordilheiras há segunda ordem de montanhas um tanto mais baixas e de configurações diversas, servindo de base para a primeira delas. Nascem várias ramificações de diversas colinas e de menores outeiros, em direções encadeadas e unidas umas às outras, em diversos ramos, a preencher todos os espaços intermediários, os quais, em declives e variados, formam planícies e várzeas até ficarem ao nível dos rios, que por entre elas também vêm descendo de suas alturas até sepultarem suas águas neste grande lago de prata. A Serra da Prata é a primeira a avistar-se do mar afora, por ser a mais saliente das cordilheiras, a sobranceira ao mar grosso, próximo à Barra do Sul, ficando ao lado direito das baías. Têm a distância de quatro a cinco léguas até a Serra do Marumbi. Essa é a descrição mais ou menos dada por Antônio Vieira dos Santos, para termos ideia de como os desbravadores viam as nossas Serras. Portanto, Morretes leva esse nome por ser um vale rodeado de serras e pequenas colinas. Obviamente, o nome se adapta muito bem à sua situação topográfica.

02-OCUPAÇÃO DO LITORAL PARANAENSE  

Os vestígios de uma ocupação remota se encontram nos resquícios dos sambaquis ainda existentes. Um monte de terra coberta por vegetação quase rasteira, é o último dos tantos sambaquis que aqui existiram. Sambaquis seriam montes de cascas de ostras e outros mariscos, encontrados provavelmente onde os índios se agrupavam. A região era rica em crustáceos e os índios carijós, que tinham aqui sua sede, colhiam os mariscos, secavam e voltavam para suas aldeias com alimentação farta por longo tempo. Os índios habitavam no contorno das baías e em Morretes, no lugar chamado Sambaqui Guaçú, próximo à foz do Rio Sagrado. Lá se encontravam grandes montes de cascas de ostras, e nenhuma destas ostreiras era maior que a do Sambaqui Guaçú. Nem as de dentro da barra de Paranaguá mostravam ter maior extensão. Em vista disso, o lugar chamado Rio Sagrado era a sede da nação indígena. Aqui habitavam de seis a oito mil índios carijós, quando hoje contamos com apenas treze mil habitantes em todo o município. Não há registro dos primeiros forasteiros aqui chegados. Sabe-se, apenas, haverem vindo de Cananéia, pois Pedro Álvares Cabral, ao descobrir a terra de Santa Cruz ou Brasil, em 22 de abril de 1500, mandou a notícia do descobrimento, pelo Capitão Gaspar de Lemos ao rei de Portugal Dom Manoel; este mandou explorar mais largamente a costa brasileira, fazendo aportar, para isso, a primeira expedição composta de três caravelas. Gonçalo Coelho, comandante desta expedição, saiu do Tejo a 10 de maio de 1501, e suas embarcações foram encontradas por Pedro Álvares Cabral quando regressava da índia para Lisboa. Estavam aportadas em Bezenegue, porto próximo da Serra Leoa, e chegaram à costa do Brasil em 17 de agosto do mesmo ano, voltando a Lisboa em 1502. Consta que duas embarcações desta se perderam ou naufragaram, e delas se salvaram, na Ilha de Cananéia, um bacharel português com nome de Francisco Chaves e Duarte Peres, juntamente com cinco ou seis castelhanos; Martin Afonso de Souza, em 1531, quando aportou nesta ilha, os encontrou. Unidos pela boa paz e amizade, viviam fraternalmente, supondo-se que já haviam gerado muitos mestiços, entre filhos e netos daqueles primeiros colonos ali aportados e, com a educação passada pelos pais, tornaram os moradores da ilha mais dóceis e mais próximos da civilização européia. Mais ou menos entre 1500 a 1560, os povos de Cananéia, descendentes dos estrangeiros lá aportados, sendo já uma população bastante numerosa, embarcam em pirogas ou canoas saindo pela barra afora, costeando as praias de Ararapira e Superaguí, entrando pela barra da famosas baías de Paranaguá. Admirados de verem ao redor delas muitas habitações de índios carijós (ramo da famíliaTupi-Guarani) e receiosos talvez que lhes fizessem alguma traição, foram direto para a ilha da Cotinga, situada muito próxima do Continente e totalmente desabitada. Forma-se a primeira povoação da Ilha da Cotinga; nasce PARANAGUÁ e, com isso, o PARANÁ. PARANAGUÁ quer dizer: Grande Mar Redondo. Tendo trazido alguns índios domesticados, a servirem de intérpretes, logo entraram em harmonia, criando amizade entre eles. Convencidos de que o local não se prestava para plantar e criar, e preocupados com a crescente população, já convivendo pacificamente com os índios após décadas, resolveram a transferência para o continente, passando para terra firme, por volta de 1560, na costa direita da baía chamada de Barra do Sul, para um ponto elevado, à margem do rio Taguaré (hoje Itiberê). As famílias iam-se constituindo, algumas miscigenadas (português com carijó). O povoado, pela cata do ouro de lavageme tendo como subsistência a plantação do arroz, mandioca, feijão, milho, banana, e na pesca abundante, cresce e vai se tornando carente de lei, segurança e governo. Entram pelos rios dos Almeidas, Correias, Guaraguaçu, até suas nascentes, descobrindo, nas margens destes,abundantes minas de ouro, as quais foram depois conhecidas pela designação de Minas de Paranaguá. A existência de Morretes está interligada com a povoação e fundação de Paranaguá. Iniciaram juntas, pois sem a história de uma, não se consegue a história da outra. Já há muito havia ocupação em Paranaguá, mas os primeiros povoadores enviados pela Coroa Real, oficialmente, foram os que consolidaram a sua formação. Seu fundador oficial foi o Capitão Mor Gabriel de Lara, povoador de Paranaguá nascido na Vila de Santa Ana de Parnaíba, São Paulo, no limiar do século XVII. Órfão de pai, sua mãe casada com o capitão André Fernandes, foi levado pelo padrasto para as aventuras do sertão onde desenvolve personalidade, percorre terras, conhecendo lugares e pessoas. Participa, em 1616, da bandeira sob o comando de Antônio Pedroso de Barros à procura de minas e de preação indígena. A bandeira explorou toda a baía de Paranaguá, os rios e, certamente, Gabriel de Lara não imaginou que estava palmilhando uma região onde o destino lhe reservaria a mais alta missão histórica: o cargo de Capitão Povoador de Paranaguá, incumbência de povoar, fortificar, defender a povoação e manter a ordem pública. Iniciou logo um trabalho junto às autoridades pleiteando melhoramentos para o lugar. A insistência de Gabriel de Lara encontrou éco. O Governador do Rio de Janeiro, Duarte Correia Vasqueanes, em nome de D. João IV, 21B Rei de Portugal (1640-1656), autorizou a ereção do Pelourinho, símbolo da justiça e realizando a posse efetiva do povoamento em nome do Rei. Quanto a isso há constestações, pois, de acordo com o documento no British Museiim Library, de Londres. Inglaterra, p.4.368, códice 13.981, cuja cópia autêntica foi apresentada no Congresso Histórico realizado em 1948, comemorativo ao tricentenário da elevação do Povoado à categoria de Vila, declara ser Domingos Peneda, incontestavelmente, o fundador de Paranaguá. "Povoado fundado à margem esquerda do Rio Taguaré, terra de nação indígena carijó, por Domingos Peneda, na segunda metade do século XVI. Elevada à categoria de Vila, por carta régia do Rei de Portugal, D. João IV (1640-1656), em 29 de julho de 1648. Em 05 de fevereiro de 1842 foi elevada à dignidade de cidade pela Lei Provincial nº 05." Eliodoro Ébano Pereira, General da Armada das Canoas de Guerra na Costa do Mar do Sul, Administrador Geral das Minas de Ouro, trazia o encargo de examinar e procurar o entabulamento das minas que "descobriu", isto é, que outros já haviam descoberto não só a Vila de "Pernaguá" (Paranaguá) como nas outras Capitanias do Sul. Coadjuvou para a criação da Vila de Paranaguá, que foi em 1648. Criou a Vila de Iguape e de "Coritiba" (Curitiba). As Minas de Paranaguá foram das primeiras da Costa Brasileira. Consta haver enviado ao Rei de Portugal um frasco cheio de ouro para confirmar a existência das pepitas. Provavelmente foi aí que começaram a chegar os mineradores aventureiros, pela fama das grandes jazidas. Mais tarde, apareceram as Minas Gerais, as de Cuiabá no Mato Grosso, e as da Califórnia, bem mais tarde nos Estados Unidos. A notícia vai-se avultando, trazendo estrangeiros a fim de se acumularem nos círculos das minas. Não cabendo o terreno onde todos pudessem trabalhar, continuaram as buscas ao redor das baías, penetrando nos maiores rios, como Marumbi, chamado, na época, de Guarumby, Rio do Pinto e se expandiram, constando que antes de 1578 já se trabalhava muito nas Minas de Paranaguá. A descoberta do Rio Cubatão foi por volta de 1570 a 1572. 
Encontraram ouro nas várzeas dos terrenos deste Município (Morretes), sendo todo seu solo acobertado por um tapete aurífero. Em qualquer parte escavado, aparecia ouro em faisqueira. Foram então, sendo descobertas muitas outras minas nos rios Marumbi, do Pinto, do Cubatão, do Pau Vermelho no Pantanal, as do Pena Jóia, Carioca, do Limoeiro, as do Ribeirão do Cangú e Uirapurunduva. Os desbravadores, ávidos por suas descobertas, procuraram em todos os morros, e até os mais altos picos foram vasculhados. Mudaram cursos de rios e ribeirões, como fizeram com o Marumbi, em determinado lugar que se chamava Água Virada. Foram ingressando nas matas ao sul, onde fizeram as primeiras picadas para a estrada do Arraial, onde é hoje o Cabrestante. Procuraram nos Morros da Serra Velha, o das Cruzes, do Ribeirão dos Padres, doPalmital e Santa Ana, finalmente descobrindo outras grandes minas no lugar chamado Arraial. Alongaram-se cada vez mais com suas buscas, fazendo com que o trânsito fosse acumulado na subida da serra, abrindo uma estrada que se chamou de Arraial, até São José dos Pinhais, hoje ligando o litoral ao planalto.


  
SESMARIAS
As sesmarias concedidas no litoral, durante o século XVII, concentravam-se na ilha de Guarapirocaba (nome primitivo da ilha do Teixeira) que passou a denominar a enseada feita pela foz do Cubatão (Nhundiaquara), onde foram descobertas as primeiras lavras de ouro. Mais tarde, esse nome passou a referir a toda a baía de Antonina, de onde se expandiu o povoamento dos Cubatões. Os primeiros sesmeiros estariam melhor instalados em uma ilha, local mais seguro contraataques dos indígenas. Somente depois de algum tempo é que iriam fixar-se em terra firme, povoando Paranguá sesmaria de que se tem notícia. Conhecida nesta região, é atribuida a Diogo de Unhate em 1614, na Barra do Superaguí. Os primeiros sesmeiros da Ilha de Guarapirocaba e da área litorânea foram Mateus Luís Grou, Bartolomeu de Torales, Manoel Duarte, Antonio de Leão, Pedro de Uzeda, Manoel de Costa Velozo, adquirida por compra de Pedro de Uzeda em 1662, Manoel Dias Velho, no rio Cubatão atual Nhundiaquara, no Porto de Cima. João Velozo de Miranda recebeu por serviços prestados à Coroa na Ilha da Cotinga, doação mais tarde anulada em virtude de ter sido considerada patrimônio do Rocio da Vila de Paranguá. João de Gama e Gregório Pereira receberam sesmarias pelo fato de haverem sido os primeiros povoadores da região litorânea do Paraná. Do primeiro núcleo de produção à foz do rio Nhundiaquara e fronteira à ilha de Guarapirocaba, propagouse o povoamento dos Cubatões, buscando a conquista do sertão e a integração com os campos de Curitiba. Os portos de João de Almeida, do Padre Veiga e Porto de Cima pouco a pouco foram-se transformando em povoados. Além das sesmarias que circundavam a ilha de Guarapirocaba, abrangendo o curso inferior dos rios Nhundiaquara, São João de Jacarehi. Os mineradores contribuíram para o desbravamento da região e conhecimento dos diversos rios da baía de Paranguá e Antonina. As lavras mais ricas no alto do curso do Nhundiaquara, nos rios da Faisqueira, Inferno, do Guarumby (Marumbi), Itassepitanduva, e do Pinto, atraíam numerosa população que se dedicava a exploração do ouro. A medida que a mineração declinava junto às costas e faisqueiras abandonadas, surgiram sítios e lavouras que os moradores obtinham em sesmarias. O período de povoamento mais significativo com que diversos moradores se radicavam em Morretes, Antonina e Paranaguá, deu-se no século XVIII. João de Almeida, nomeado pela Câmara pelo cargo de rendeiro do porto do Cubatão dos três Morretes, possuía suas canoas neste local, com capacidade para transportar cargas e passageiros que iam de Paranaguá a Curitiba. O Porto de Cima chegou a ter uma população bastante expressiva na fase do ouro, com a exploração das minas de Arraial Grande, estendidas por toda a cordilheira da Serra do Mar. As Minas do Anhaia, do Penajóia, do Pantanal, Limeira, Carioca, Pau Oco, Pau Vermelho, pertenciam à cidade de Morretes; e também às do Porto de Cima, mais tarde a pertencerem ao município de Porto de Cima; as Minas de Cachoeira, que se alongavam de São João da Graciosa até ao povoado de Pilar da Graciosa, município de Antonina. O Porto de Cima, desde logo, foi percorrido pelos exploradores do ouro. Já em 1665 Manoel Dias Velho possuía sesmaria (meia légua em quadra) do Cubatão do Porto do Inferno (atual São João) ao Porto do Padre Veiga. Em 11 de outubro de 1665, o Capitão Mor da Capitania de Paranaguá, Gabriel de Lara, concedia ao Capitão Manoel Dias Velho, "toda terra que não estivesse correndo do rio Sítio Sambaqui pelo Cubatão, de porto do Inferno (o rio São João desagua na extremidade de um braço das baías que desde a ilha do Teixeira, lança para este lado". O primeiro nome tido por este rio foi do Inferno, não se sabe ao certo a razão disso. Talvez os primeiros descobridores hajam achado muito difícil o seu acesso ou devido suas margens muito fechadas por matas sombrias, dando-lhes pavor) acima, outro tanto em quadra, sendo esta concessão de meia légua. Este é o único documento em que consta oficialmente a posse de Sesmarias. Portanto, o Capitão Manoel Dias Velho é o povoador oficial mais antigo de Morretes, tendo em vista haver sido solicitada uma Sesmaria em Morretes, e aí já se encontrava com inúmeros povoadores. A tomada de posse foi no dia 14 de outubro de 1665. Dias Velho era filho do grande sertanista e conquistador Francisco Dias Velho, o qual participou das bandeiras nos sertões do Paraná e Rio Grande, onde faleceu em 1665. Dias Velho era irmão não menos notável do bandeirante Francisco Dias Velho Filho, fundador e Capitão Mor de Santa Catarina, onde teve participação evidente da Costa Marítima e nos sertões do Brasil. Estes pontos estavam sendo ameaçados pelos castelhanos. Já vivia em Morretes, nessa época, o Sargento Mor Domingos de Lima, nos lugares chamados Anhaia e Porto de Cima, onde possuía muitas propriedades. Era homem abastado e poderoso, e que, por seu mérito e valor, conseguiu entrar em lista tríplice para o lugar de Capitão Mor de Paranaguá, juntamente com seu genro Manoel Nunes de Lima, homem de igual valor, o qual foi o escolhido. Cardoso de Lima era casado com a filha do Capitão Francisco Pedroso Xavier, o herói de Vila Rica, que em 1676, à frente de uma numerosa bandeira, destruiu uma redução e de onde voltou trazendo muitos despojos ricos e também um grande número de índios que se tornaram seus administrados. Sua casa era adornada de seda e damasco, sua mesa era servida em baixelas de prata, as mucamas e pajens de sua família eram adornadas com grossos cordões de ouro, a passarem mais de cem oitavas. Tinha uma banda completa de instrumentos de sopro formada por escravos da sua fazenda. Quando ia a Paranaguá fazia uma entrada triunfal, ao som da sua banda de música. De não menor vulto foram: Paulo de Anhaia Bicudo, que deu o nome ao bairro, João Chaves de Almeida, Manoel Correa Matoso, Raimundo José Sanabio, Antonio João, José Pinto, Antonio Rodrigues de Carvalho, João de Almeida o Capitão Mor Antonio Ferreira Matoso, o Capitão Mor Manoel Lourenço Pontes e outros tantos de larga repercu são. Todos povoadores nâ mesma época. O Rio do Pinto ou Porto do Padre Veiga principiou numa pequena povoação com casas de madeira cobertas de palha, algumas servindo de armazém e depósito dos gêneros vindos de serra acima para serem embarcados a Paranaguá, e também gêneros enviados para serra acima. Havia ali também armazéns de vendas de secos e molhados. Esta pequena povoação foi abandonada, pois o porto foi transferido para Morretes, onde repentinamente floresceu um próspero povoado, ficando o porto do Padre Veiga reduzido a um sítio agrícola, que pertencia a Theodora da Costa. O povoado de Morretes iniciou-se por volta de 1725 a 1730, oficialmente, por João de Almeida, o que com sua família obteve da Câmara de Paranaguá o título de "Carta de Dacta" para oficializar sua situação de vivenda e rendeiro do Cubatão. Constava, sua família, de um filho com nome de Domingos de Almeida, um genro conhecido com o nome de Boaboçu, casado com Maria Gonçalves. Tinham três filhos: Marcelino, Martinho e Bonifácio, e consta que Boabaçu era carpinteiro. Principiaram seus trabalhos de agricultura descortinando as matas, derrubando as grossas árvores, limpando o terreno. Plantavam cana, mandioca, milho e feijão, por serem as margens do rio muito férteis. João de Almeida, chefe da família, fez sua casa de morada no morro onde hoje é a Igreja Matriz de Morretes, próximo à ponte do ribeirão outra morada chamada vulgarmente a casa da farinha, na qual havia uma roda d'água, uma prensa e um pequeno engenho de moer cana, tocado por animais, havendo o porto de sua serventia, onde foi a casa do Comendador Araújo, e as casas próximas na rua hoje General Carneiro. Domingos de Almeida fez uma pequena casa de morada na rua do campo. O Boabuçu construiu sua morada em cima da ribanceira do Nhundiaquara, em frente à Igreja Matriz e a qual, depois de sua morte, serviu de residência aos contratadores de passagem ou seus agentes, e aí se fez outra unida servindo de armazém do mesmo contrato, existindo o porto próximo à mesma. Por volta de 1800, ainda conservava o nome de Porto de Contrato. Já nessa época existia a trilha de comunicação por terra ao Porto de Cima, e através dele os moradores se comunicavam quando não queriam servir-se das conduções do rio (pois teriam que pagar passagem). Depois dessa mesma trilha foi aberta uma outra a se unir para o trânsito de animais. De curta extensão durou poucos anos, sendo aberto novo trilho margeando o rio na extensão de 3.410 braças medidas desde a Ponte Alta até ao Porto de Cima, em terrenos muito baixos e lamacentos, os quais, com trânsito contínuo das imensas tropas trazidas de Curitiba, formaram, em toda a sua extensão, caldeirões profundos, sendo necessário solicitar através de representações, os reparos desta trilha. Em 1827, no dia 1º de maio, deu-se o início da construção de um açude geral, em toda a extensão, da várzea, com 14 palmos de largura, 2 de altura nos lados, sendo o meio mais elevado com esgotos nas laterais. Esse trabalho levou mais de dois ano. Em 1733 efetivou-se a Fundação de Morretes.


03-TERMO DA FUNDAÇÃO DE MORRETES

Atenção leitor: Memória Histórica e Topográfica da Cidade de Morretes e Porto de Cima. (transcrito do livro de Antonio Vieira dos Santos, inclusive com erros de ortografia aplicado na época da impressão do livro)

"Auto da medição e posse que fizeram os Oficiais da Câmara, de trezentas braças de terras no Porto de Morretes. Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e trinta e três anos, aos trinta e um dias do mês de Outubro do dito ano, neste Porto dos Morretes, onde assiste João de Almeida. Termo desta Vila de Paranaguá e onde veio o Juiz Ordinário José Morato, e o Vereador mais velho Manoel Moreira Barbosa, e o segundo Antonio José de Mendonça, e o Procurador do Conselho Miguel Alves, e comigo, Escrivão do público, e tabeliões Antonio José Garcia, homem que os Oficiais da Câmara elegeram por Alcaide por se achar enfermo o atual Estevão Ferreira, a quem o Juiz Presidente deu seu juramento debaixo do qual, lhe encarregou fizesse a sua obrigação, e sendo ai pelos ditos oficiais da Câmara foram medidas - trezentas braças de terras, em quadra segundo a ordem de Sua Magestade a quem Deus guarde; que começou a sua medição na barra do esteiro onde tem seu porto João de Almeida onde se acha na pedra grande meio chata, e onde foi imprimido uma letra - R -, e continuando-se com a tal medição se inteirou ao rumo que botou, o Piloto Francisco de Araújo com o aguilhão - Cento e cinquenta braços que confinou , ao dito rumo em um Ribeirão que parte pelo travessão ao rumo de Sussueste, cuja barra fica servindo de divisa a dita medição, e outro sim se continuou com outras - Cento e cinquenta braças ao rumo de Lessueste,que confinou dita conta na volta do rio,que faz abaixo do sítio do dito João de Almeida defronte de uma cachoeira em cuja volta se acha umas pedras no rio e a beira dele sobre o barranco se fincou um marco de pedra com letra - R - e feito assim a medição se lhe deu a quadra para o sertão por parte do rio Guarumby e sendo assim feita e dita medição perante as testemunhas dos diante nomeados, e assinadas, foi apregoado pelo dito Alcaide dizendo - posse - posse - posse Real tomam posse os Oficiais da Câmara por ordem de Sua Magestade, que Deus guarde, há quem se oponha, ou a quem tenha embargo a ela? - e dizendo isto pegou em um punhado de terra, e o botou para o ar, e não houve quem saisse a tal posse com embargos a vista do que houverão eles ditos Oficiais, esta medição por feita, e a posse por tomada em nome de Sua Magestade a quem pertencem as ditas terras, segundo a mesma ordem que dele há e logo foi notificado ao dito João de Almeida como rendeiro do dito porto conhece-se estas trezentas braças de terras em quadra pertencentes ao Conselho desta Villa e que tivesse muito cuidado dos marcos enquanto nele morar, de modo, que senão tirem principalmente o debaixo por ser sobre o porto, que assim se obrigou, de que tudo fiz este Auto que assinarão todos os testemunhos, Luiz de Andrade, e Ignacio Morato e eu Gaspar Gonçalves de Moraes escrivão que o escrevi - João Morato de Lemos - Manoel Moreira Barbosa - Antonio João de Mendonça - Miguel Alves Pedroso - Antonio Rodrigues Garcia Cruz - Francisco de Araújo - João de Almeida - Luiz André Ignacio Morato - e não se continha mais no dito que eu aqui registrei neste livro do Tombo, bem, e fielmente do próprio Auto que se fez, e vai na verdade - Paranaguá, 7 de Novembro de 1733 anos, e Eu Gaspar Teixeira de Moraes Escrivão da Câmara que o escrevi - Gaspar Gonçalves de Moraes - Concertado com a própria-Moraes-Copiado pelo Escrivão da Câmara, Joaquim José de Araujo, em 19 de janeiro de 1842. Auto da Medição e posse que tomarão os oficiais da Câmara de Trezentas Braças de Terras do Porto a que chamam - do Padre Veiga, a do Arraial Grande. "Ano do Nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e trinta e três, aos dois dias do mês de novembro do dito ano, neste porto do Arraial grande onde chamam Porto do Padre Veiga, e assiste Manoel Pinto, onde fui o juiz ordinário João Morato, e o Procurador do Conselho Miguel Alves e Francisco de Araújo, homem experiente em agulha, e juntamente Antonio Rodrigues Alcaide eleito pelos ditos oficiais da Câmara para esta medição, por estar doente o atual escrivão Ferreira, comigo escrivão do diante nomeado e sendo ai foi feita a medição no dito Porto que se começou no porto onde se pôs um marco de pedra, com letra - R - a Rumo de Sudoeste rio acima, com cento e setenta e cinco braços e feita assim a medição rio acima se poz um marco de pedra junto a um pau de canela e demarcada por esta parte, se continuou medir rio abaixo a rumo de nordeste cento e vinte e cinco braças, que somam as trezentas de terras, na dita paragem, se lhe desse o Sertão das trezentas braças que confinam para a parte do rio Guarumby para a parte de rumo do Noroeste, e feita assim a medição foi pelo dito Alcaide apregoado - posse - posse - em nome Real, que tomam os oficiais da Câmara, e pegando um punhado de terra apregoando tres vezes, ha quem se aponha? não tendo quem se opuzesse, nem saísse a Embargos, houverao os ditos oficiais a medição por feita e a posse por tomada, em nome de Sua Majestade que Deus Guarde, segundo sua ordem, feito isto mandarão fazer estes autos de medição que assinarão, sendo por testemunhas Manoel Pinto Ferreira, Ignacio da Costa, que assinarão e Eu Gaspar Gonçalves de Moraes escrivão que o escrevi, João Morato de Moraes - Manoel Moreira Barbosa - Antonio José de Mendonça - Miguel Alves Pedroso Cruz - Francisco de Araújo - Antonio Rodrigues - Manoel Pinto Ferreira - Inácio da Costa Martins cujo o Auto de Posse, de medição Eu sobredido Escrivão aqui registrei na verdade. Paranaguá 08 de novembro de 1733 - Eu Gaspar Gonçalves de Moraes que o escrevi - Gaspar Gonçalves de Moraes". Auto de Medição de Trezentas Braças de Terra, Na Page chamada - Porto de Cima - "Ano de nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e trinta e tres anos, no primeiro dia do mes de novembro do dito ano, no Porto de Cima e sítio de Francisco de Souza Dias, termo desta Vila onde veio o Juiz Ordinário José Morato e o Vereador Manoel Moreira e Antonio João de Mendonça comigo Escrivão ao diante nomeado, e o Alcaide eleito no Auto atrás Antonio Rodrigues, e sendo ai pelos ditos oficiais da Câmara feito a medição que se principou no terreiro de Francisco de Souza Dias, ao rumo de Nonoroeste, cento e cinquenta braças e confirmou rio acima onde chegou, serve de cruz dois marcos de pedra juntos, na mesma forma se continuou, a medição para baixo a rumo de Sussueste. As outras cento e cinquenta braças de terras que juntas fazem as trezentas o que feita e dita medição se fincou um marco de pedra sobre o rio ao pé de um pau em que se pos uma Cruz; e no dito terreiro de onde começarão as medições se pos outro marco com a letra - R - imprimindo na pedra: e assim feito a medição foi pelo dito Alcaide apregoado na forma do Auto atras, e assim não houve quem se oferecesse a ele, e nem saisse com embargos alguns, e nesta forma houverão os oficiais a medição por feita, e a posse por tomada das trezentas braças terras em quadra na forma da posse que se tomou no outro porto, que consta do Auto atras de que tudo fiseste Auto; que assinei sendo presentes Luiz de Andrade - Pedro de Gouveia e juntamente Francisco de Araujo homem experiente em agulhas por quem foi demarcado o rumo e Eu Gaspar Gonçalves de Moraes que o escrevi - João Morato de Lima - Manoel Moreira Barbosa - Antonio João de Mendonça - Antonio Rodrigues Pedroso Cruz - Francisco de Araújo - Antonio Rodrigues - Pedro Gouveia - Luiz André, cujo Auto de medição e posse Eu escrivão de Câmara aqui o registrei etc, etc, e vai na verdade em fé do que me assino Paranaguá, 07 de novembro de 1733 e, Eu, Gaspar Gonçalves de Moraes, escrivão do Conselho que o escrevi - Gaspar Gonçalves de Moraes".







Um vale de sonhos. As serras se fecham, como para não deixar que se vá, que se saia por ai na busca, na cata do diferente. Essas paredes de pedras são como a defesa do importuno. É difícil se chegar, quando se chega não se vai. Esse lugar fechado, onde os rios descem as serras para purificar o ímpio, e quando tudo passa, todos se unem, como irmanados, com medo que levem com elas os nossos ideais; a vontade imediata é de se ir, mas vamos ficando...Quando saímos voltamos, nem que a nossa volta seja movida pelo sentimento mais puro, o amor. Como é difícil sair daqui! É um desafio. A subida é tão penosa que, quando se chega, se vence, pois não existe maior dificuldade que a de se cortar o cordão umbilical para o afastamento mesmo temporário da mãe terra. As águas do Nhundiaquara são mágicas. Quem as bebe volta, e volta prá ficar. Nós desta terra, estamos acostumados a olhar para o alto e por isso nossos sonhos são os mais sonhados. Até os cânticos dos pássaros são os mais sonoros. Ecoam com mais ressonância, quando batem nas paredes que nos cercam.
As águas não deixam que as coisas ruins fiquem.
As serras não deixam que as coisas boas se vão.

04-AS MINAS DE OURO

Penajóia
Pertencia ao Sargento Mor Domingos Cardoso de Lima, homem rico, possuía muitos escravos, veio do Assungui estabelecer sua moradia no rio do Pinto, era possuidor das grandes casas de sobrado, situados próximos à Igreja de São Benedito em Paranaguá. Enriqueceu com as lavras do Assungui. Esta mina forneceu abundante ouro em cascalho azul.
Pantanal
Lavras pertencentes ao Capitão Manoel Correia Mathoso, foi extraído ouro muito fino, de alto quilate. Morava no lugar chamado Pau Vermelho.
Carioca
Pertenceram ao Capitão Antonio da Silva Braga, morador no lugar denominado Pau Vermelho, tinha muitos escravos mas a sorte lhe foi adversa, morrendo a maior parte desses. Veio a morrer pobre e cego, em 17 de setembro de 1809. Foi casado com Dona Maria Pinheira dos Santos, filha do Alferes Manoel Domingos dos Santos, homem de grande prestígio. Era uma das principais famílias de Paranaguá.
Limoeiro
Pertencente a Luiz Chaves, onde trabalhava com muitos escravos, situada no caminho da estrada do Arraial (Limoeiro era um lugar de paragem no Município de Morretes, para o lado do Pau Vermelho, onde haviam muitos moradores).
Pau Vermelho
Pertenceu a Domingos Botelho, que nas mesmas trabalhava com seus muitos escravos. Diversas lavras no mesmo lugar chamado Pau Vermelho e em diversos pontos trabalhavam: Antonio Pinto, José Pinto e João Pinto. Raimundo José Sabino, morador no Sítio Grande onde tinha sua residência e família. Esse famoso minerador foi um dos que veio de Minas Gerais, estabeleceu-se neste Município com suposto nome, pois seu verdadeiro nome era José Machado, como declarou seu testamento. Natural da Ilha da Madeira, vindo para o Brasil em 1760. Foi casado com Dona Eufrasina da Silva Freire, filha do Tenente Francisco da Silva Freire, ramo das principais famílias de Paranaguá.
Ribeirão
Ficava nos morros da Carreira, pertencia ao Mestre de Campo Antonio Gomes Setúbal, depois a André Gonsalves Pinheiro, Capitão Mor da Vila de Paranaguá e Provedor das Minas e por último do capitão Antonio Rodrigues de de Carvalho, casado com Dona Maria Gomes Setúbal, a mais ilustre família de Paranaguá. Foi este o fundador da primeira Capela de Morretes, homem abastado, possuía muitos escravos. Em sua casa possuía um altar portátil, onde seu filho, o Padre Antonio Rodrigues de Carvalho ministrava missas, foi um patriótico morretense que mais prestou serviços no seu ministério sacerdotal. Faleceu no ano de 1845, e seu pai no dia Io de agosto de 1901.
Uvapurunduva
No lugar denominado Canguiri pertencente ao Capitão Manoel Gonçalves Correia, figura importante de Paranaguá, pois fez às suas custas grande parte do Colégio dos antigos Jesuítas. Além das imensas lavras de mineração, havia outra no Uvapurunduva, em Canguiri, de um inglês cujo nome era Guilherme Paulo. Aí, este trabalhava com seus escravos. As do Capituva pertencia ao Alferes José Mendes de Azevedo. As do Guarumby (Marumbi), do Alferes Thomas Correia Pimentel.

05-RIO CUBATÃO 

O Rio Cubatão (hoje Nhundiaquara) era mais estreito e suas margens eram cobertas por extensas matas e grandes árvores de um verde escuro. A tiririca, que pertence à classe das trepadeiras, produzia imensas folhas pendentes, de um tom mais claro de verde, formando, em determinados lugares, pirâmides de alturas diferentes, oferecendo uma vista deveras melancólica. Suas sombras obscureciam a corrente das cristalinas águas, entristecendo-as. Havia um salto chamado de Funil, onde nos primórdios do descobrimento da navegação do rio Cubatão, oferecia perigo às canoas, que em sua descida viravam, havendo ali, muitos afogados. Deram-lhe o nome de Funil, porque a corrente do rio se estreitava por entre as fileiras de pedras, afinando em sua embocadura como se fosse um funil onde as águas em sua apertada saída davam um salto. Outras cachoeiras havia, como a das pedras, que também precisava de muita cautela na descida, a fim de enfrentar a grande força da correnteza. As canoas, em sua descida, arrebentavam-se contra as pedras. A cachoeira de Guaporunga, bem mais baixa, não oferecia tanto perigo, ficando mais próxima a Morretes. O Rio Cubatão (hoje Nhundiaquara) era mais estreito e suas margens eram cobertas por extensas matas e grandes árvores de um verde escuro. A tiririca, que pertence à classe das trepadeiras, produzia imensas folhas pendentes, de um tom mais claro de verde, formando, em determinados lugares, pirâmides de alturas diferentes, oferecendo uma vista deveras melancólica. Suas sombras obscureciam a corrente das cristalinas águas, entristecendo-as. Havia um salto chamado de Funil, onde nos primórdios do descobrimento da navegação do rio Cubatão, oferecia perigo às canoas, que em sua descida viravam, havendo ali, muitos afogados. Deram-lhe o nome de Funil, porque a corrente do rio se estreitava por entre as fileiras de pedras, afinando em sua embocadura como se fosse um funil onde as águas em sua apertada saída davam um salto. Outras cachoeiras havia, como a das pedras, que também precisava de muita cautela na descida, a fim de enfrentar a grande força da correnteza. As canoas, em sua descida, arrebentavam-se contra as pedras. A cachoeira de Guaporunga, bem mais baixa, não oferecia tanto perigo, ficando mais próxima a Morretes.

06-INFLUÊNCIAS DO NHUNDIAQUARA

Nhundiaquara- Nhundia: peixe, jundia; Quara: empoçado, buraco. Na história de Morretes, o rio Cubatão, hoje Nhundiaquara, o nome imposto pelo Governo Provincial, em 1869, teve a glória de ser durante séculos o único caminho fluvial. Era o mais antigo e mais importante desde a sua foz até à raiz da serra. As rápidas descidas das vertentes da serra, causavam frequentemente inundações nas baixadas do município, como as que aconteceram em 1795, 1846, 1869, 1873, 1882, 1884. Uma das maiores inundações foi registrada nos 13 e 14 de março de 1888, quando a população foi refugiar-se na colina da igreja. Muitas outras sucederam, sempre as maiores subindo até 25 palmos.


Hoje, ao olhar da minha janela, vejo meu Nhundiaquara correndo, com seu marulhar suave, prateado pela luz do luar. Imagino-o malvado, dificultoso, misterioso. Quantos já morreram pela sua conquista! Homens trabalhando a tirarem as pedras do seu leito, deixando-o profundo a fim de irem às buscas de outras conquistas, de mais sangue derramado como a tomada dos Campos de Guarapuava! Quem sabe se não são as chibatadas dos feitores a ecoarem ainda hoje, quando furioso fica! Pobre do meu Nhundiaquara! Você, não foi feito para isso. Você desce do seu berço, para embalar os sonhos dos enamorados, dos que amam o belo, a poesia... Somente quando se zanga prega susto, mas é de brincadeira. Sua contribuição já foi dada. Agora, o homem não mais precisa de você; e eu, eu quero-o apenas como irmão da lua e amigo dos amantes.

07-HITUPAVA

O caminho do Hitupava era apenas uma picada aberta graças à perseguição de dois caçadores a uma anta. Seguindo pela trilha que o animal foi fazendo ao descer a serra, conseguiram matá-la no Porto de Cima ou nas proximidades. Era um caminho a servir apenas a viajantes com cargas aos ombros, pois sequer possibilitava a passagem de animais como mulas e cavalos. Era um caminho íngreme e rodeava a fralda da serra. O rumo novo foi aberto por determinação de Afonso Botelho de Sampaio e Souza, nomeado por D. Antônio, para Governador Militar de Paranaguá e Comandante das seis expedições a Guarapuava, em 1769. Foi este Tenente Coronel que tratou com firme resolução da abertura de uma vereda terrestre do Porto de Barreiros ou Porto de Baixo até o Porto de Cima. Não se pode precisar datas para aberturas das estradas que subiam do litoral ao planalto. Em 1720, já se fazia o acesso pelo caminho do Hitupava. O Ouvidor Rafael Pires Pardinho, fazendo Correição na Vila de Coritiba, no ano de 1721, determinou aos moradores daquela vila, contribuíssem nas melhorias do caminho, pois em tempos antigos era por ali feito o trânsito e era preferível a estrada do Caminho Grande, pois oferecia menos dificuldades e evitava os perigos e as HYTAUPABAS ou Itupava, um lugar na serra de Curitiba que significava "rio despenhado por salto de pedras", e antigamente seria esta passagem temível aos andantes viajeiros. Esta é a descrição dada por Antônio Vieira dos Santos. Já Francisco Negrão diz ser HYTUPABAS desgraças riscos que há no rio Cubatão "onde há um lugar chamado de carniças tal a grande quantidade de animais mortos por desgraças".

08-IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DO PORTO

O Capitão Antônio Rodrigues de Carvalho, natural de Portugal, e sua mulher D. Maria Gomes Setúbal, natural de Paranaguá, edificaram em terreno de sua propriedade, no alto da colina, no povoado de Porto de Cubatão dos Três Morretes, uma capela consagrada a Nossa Senhora do Porto dos Três Morretes, benta a 15 de junho de 1769 pelo pároco de Paranaguá, padre Francisco Meira Calassa. Doaram como patrimônio da Capela, duas casas, sendo uma em Paranaguá e outra em Morretes. Ofertaram também a imagem de Nossa Senhora do Porto, vinda de Portugal. Esta imagem proporcionada, mais precisamente, pela esposa do Capitão Antônio Rodrigues de Carvalho. A pedido do povo de Morretes, foi Domingos Cardoso de Lima Filho a São Paulo e obteve do Vigário Capitular Arcediago Mateus Lourenço de Carvalho ,em 1770, faculdade para que esta Capela particular da família do Capitão Antônio Rodrigues de Carvalho, passasse à Capela Pública, filial da paróquia de Nossa Senhora do Pilar da Graciosa. Foi nos anos de 1785 a 1786 que o zeloso padre Francisco Xavier dos Passos acabou concluindo, de madeira o corpo da igreja. Arruinadas pelo tempo, fizeram-se paredes de pedra e cal. A primeira levantada em 1797 e a segunda em 1805 e finalmente as da Capela Mor em 1833, todas com as contribuições dos fiéis. Entretanto há informações de que o frontispício foi erguido nos anos de 1810 a 1814, por ordem do Sargento Mor Antônio Ricardo dos Santos, o que foi protetor da capela naquela época. Entende-se, pois, que a primitiva capela era uma construção inacabada, não obstante os capelões realizarem aí todos os atos religiosos. Como era de costume naquele tempo, se sepultava dentro dele os defuntos, de acordo com os testamentos deixados por estes. As classes de elite tinham seus sepultamentos assegurados pelas irmandades religiosas dentro da capela. Foi assim até quase meados do século passado. Em 1849, a imagem de Nossa Senhora do Porto, padroeira da vila cai do andor, quebrando-se sendo encomendada outra imagem, e no mesmo ano vindo da Bahia, esculpida em madeira, com revestimento em gesso.

09-PORTO REAL

Havendo sido abandonada a primeira picada feita pelos desbravadores e da qual mais tarde se originara a estrada da Graciosa, mesmo sendo sua subida mais suave, começaram a utilizar o trilho da serra, apesar do seu mau estado de conservação e dando passagem apenas aos viajantes que desciam a pé mas com a atenuante desse caminho ser mais curto que o outro. A maior parte desses viajantes precisava de transportes de canoas para descer o rio Cubatão (Nhundiaquara) e como nem sempre haviam canoas disponíveis, a Junta da Fazenda Real estabeleceu, ali, um porto de contrato por conta da Fazenda Real, o que motivou chamar aquele lugar onde se estabeleceu a casa do administrador de rendas, o Porto Real. Mais tarde chamou-se-o de Porto de Cima, porque o primeiro Porto de Baixo seria o Porto do Rio do Pinto, a servir os viajantes que desciam pela Serra Velha do Arraial. Findado o mesmo, passou o trânsito deste para o local da povoação de Morretes, onde se estabeleceu o caixeiro de contrato, que levou o nome de Porto do Meio e o Porto Real para o Porto de Cima. O Porto de Cima teve origem nas décadas de 1708 a 1720, quando foi sistematizado o serviço de extração do ouro nas Minas do Arraial Grande, que se estendia pela cordilheira da Serra do Mar, desde o Anhaia até o São João da Graciosa. As minas do Anhaia, ou antes as do Penajóia, as do Pantanal, da Carioca, da Limeira, do Pau Oco, do Pau Vermelho e outras pertenciam ao mais tarde Município de Morretes; as da Mãe Catira, do Porto Real, do Itupava, pertenciam aos mais tarde Porto de Cima e finalmente as da Cachoeira, que se estendiam de São João da Graciosa mais tarde Município de Antonina. Todos sob jurisdição de Paranaguá. As minas da Cachoeira, não pertenciam as Minas do Arraial Grande mas por serem coligadas, pertenciam ao mesmo regime tributário fiscal e administrativo. Em Porto Real se instalaram alguns aventureiros ávidos de ouro. A serra do Marumbi e seus rios foram totalmente explorados pelos experientes mineradores e batedores, sendo que esses últimos eram escravos ou índios.

10-AS TRANSFORMAÇÕES NA ECONOMIA DO BRASIL

No ano de 1808, aportou no Brasil evadida de Portugal, devido a ambição de Napoleão Bonaparte, que aspirava dominar o mundo, a família Real Portuguesa, tendo como príncipe D. João VI, sua mãe a Rainha D. Maria e sua família Bragantina. Chegaram à Bahia a 23 de janeiro de 1808. Acompanharam-no cerca de 1.500 pessoas numa frota de 15 navios comboiados pela esquadra inglesa com uma força de 7.000 homens. As prioridades foram sendo efetivadas e a primeira medida foi dar ênfase e liberdade ao comércio exterior. Todos os países, indistintamente poderiam comercializar com o Brasil, dando assim um impulso fantástico ao nosso país. A 28 de janeiro já assinava a carta régia de abertura dos Portos às Nações amigas. Após trinta dias seguem para o Rio de Janeiro, onde no dia 7 de janeiro se instala o governo, transportando para o Brasil todas as instituições que existiam em Portugal, sem mais dependências. No espaço de apenas sete anos, em 1815, o Brasil foi elevado a reino. D. João VI se torna Rei em 1816 e foi aclamado em 1818. D. Pedro foi intitulado príncipe do Brasil em 1817. A coroação de D. Pedro aconteceu em 1822 e no dia 7 de setembro do mesmo ano, o Brasil fica livre de Portugal. É a Independência. Uma total metamorfose revolucionária e política se opera em toda a extensão do Império, nas leis orgânicas, divisões políticas e territoriais, nas forças armadas (Nacional e Naval), substituindo-se novos regimes e nomes apropriados à política do século. O Brasil foi transformado em reino, depois em império, as capitanias em províncias e subdivididas em distritos judiciários e comarcas, as câmaras municipais em municípios, os ouvidores em juízes de direito, os juízes ordinários ou de fora em municipais, os almotacés em juízes de paz. As pequenas povoações foram transformadas em categorias de vilas, as vilas a cidades e algumas a capitais. As províncias se dividem, e formam-se outras. As milícias de segunda ordem passam para a Guarda Nacional, com novas manobras, regulamentos e uniformes. As de terceira linha, das ordenanças, as Guardas Policiais permanentes. Demitem-se os capitães mores e nomeiam-se prefeitos. Constituem-se as câmaras de deputados e senadores na corte e outras legislativas em cada província: as primeiras fazem apenas as leis gerais, as outras, as provinciais e as câmaras, as suas posturas municipais. O antigo Código Afonsino de Leis, é transformado em sistemas constitucionais.

11-O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE MORRETES

O auge do comércio em Morretes, se dá por volta de até, mais ou menos 1832, quando D. João VI enviou para as fronteiras do Sul, por causa do cerco de Montevidéu uma forte divisão de 8.000 homens. Como faltavam víveres em Montevidéu, eram comprados aqui todos os gêneros alimentícios, a fim de serem enviados, via Porto de Paranaguá, para guarnições. A maior parte desses gêneros vinham de Serra Acima e como Morretes ficava entre Curitiba e Paranaguá, era aqui que se faziam todas as transações comerciais da época, dando ênfase ao comércio local, trazendo, assim, grandes comerciantes vindos de Paranaguá, os quais se estabeleceram aqui com suas casas comerciais. Os gêneros eram vendidos a preços exorbitantes, tornando esses comerciantes mais ricos e poderosos em curto prazo, não apenas pelo cerco da praça de Montevidéu que se estendeu até 1817, como pelo bloqueio marítimo resultante da nova especulação da erva-mate para os portos das repúblicas Argentina, Cisplatina * e Chilena.
Assim, Morretes se transformou no grande pólo comercial da época.

* CISPLATINA - (Província) nome do território de Montevidéu enquanto esteve incorporado no Império Brasileiro (1821 -1828).


12-A ERVA-MATE

O uso da erva-mate, no Paraná, data do início do povoamento deste. Os bandeirantes, no seu regresso das destruições que fizeram das célebres reduções jesuíticas do Guaíra e outras às margens do rio Paraná, em 1636, haviam adquirido aí o hábito do chá de mate e do chimarrão, seguidos pelos paraguaios e castelhanos. Foram os bandeirantes difundidores do uso dessa bebida. Os castelhanos ou antes os paraguaios denominavam a congonha de "La procuichosa". Por cartas régias de 22 de novembro de 1720 a 14 de junho de 1721, D. João determinou ao Capitão Mor de São Paulo que, por lhe ser noticiada a existência de uma erva a que chamavam congonha, remetessem-lhe ao reino um caixote da dita erva, a fim de ser examinada, e uma receita de preparo e uso. Por carta régia de 29 de abril de 1722, D. João fez saber ao ouvidor de São Paulo, que o ouvidor Rafael Pires Pardinho lhe deu conta, em carta de 17 de junho de 1720, da grande pobreza em que viviam os moradores das últimas vilas do Brasil, ao sul, causada não só pela preguiça, mas também por não terem mais comércio além das pescas, farinha de mandioca e algumas cordoarias de irribé, fazendo de tudo para permutarem com vestuários que "vem das embarcações de Santos e do Rio de Janeiro". Em vista disso, D. João permitiu, por essa régia, que se pudesse comercializar com a Colónia de Sacramento, levando-se as madeiras, cal de ostras, telhas e tijolos, e mais os frutos da terra," como a congonha que há em abundância", para que se introduzissem em Buenos Aires. Essa carta régia, abrindo a exportação para Buenos Aires e Colónia de Sacramento, veio dilatar consideravelmente a indústria da erva-mate e madeira, até então sob proibição de serem exportadas para o exterior. Foi mais um relevante serviço prestado à nossa terra pelo Ouvidor Pardinho. Por construir esse comércio um privilégio, o monopólio do governo paraguaio, não foram poucas as dificuldades surgidas para vencer: Impostos de entrada em Buenos Aires elevados,os fabricantes e beneficiadores da erva recusavam-se terminantemente a divulgar seus métodos, temerosos da concorrência. A erva exportada era toda cancheada ou sapecada, e por ter de seguir via caminho do Itupava por homens que a conduziam aos ombros, era acondicionada em pequenos panicús ou cestos de taquaras. Em 1827, chegou em Paranaguá o castelhano Francisco Alzagaray e logo se entrega ao comércio da erva-mate para as repúblicas do Prata. O governador de São Paulo comunicou à camará que, 24 de janeiro de 1820, o rei deu permissão para que o comandante espanhol Francisco Alzagaray pudesse negociar na compra e venda da erva-mate. Montou um engenho de beneficiar a erva, a qual movida por braços escravos, em pilões, tendo logo imitadores. Os senhores Manoel Miró, espanhol e João Negrão, português o avô de Francisco Negrão, que em 1830, já se havia estabelecido com um engenho hidráulico em Morretes, e em 1834, se estabeleceu em Curitiba com um engenho a vapor, na praça Senador Correia, cujas propriedades mais tarde foram pertencer aos herdeiros do Coronel Ventura Torres.


13-O CICLO ECONÔMICO DA ERVA-MATE

A Provisão régia de 24 de outubro de 1722 estabeleceu impostos de pedágio nas estradas e caminhos. João Francisco Laines, Sargento Mor de Paranaguá com propriedades em Porto de Cima, um dos primeiros moradores, foi o arrematante das cobranças dos impostos de pedágios. Em 1738, conseguiu da câmara de Paranaguá a concessão das terras no Rocio do Porto, das demarcadas em 1733, no sítio de Francisco Souza Dias, para sí e autorização para conceder outras aos que quisessem se estabelecer. Com isso João Laines contribuiu para a fundação do povoado de Porto de Cima. Melhoradas as vias de comunicação do planalto Curitibano com o litoral, Morretes e Porto de Cima foram favorecidos pela abundância de rios que possuem, por numerosos engenhos para beneficiar a erva-mate vinda do interior. A força hidráulica se prestava magnificamente para a indústria. Porto de Cima, contava com mais de trinta e cinco engenhos. Em São João da Graciosa, havia o engenho de Martinho de Matos Paiva, na raiz da serra, pouco acima da velha barreira de Graciosa, havia o de Antônio Ricardo dos Santos Dodoca chamado de Fortaleza, tinha por feitor José Maria de Castro Brito e mais abaixo, o do Major José Antonio dos Santos, que mais tarde foi utilizado por seu genro o Coronel Joaquim de Loiola. A margem do Rio São João, o engenho de Guilherme Xavier de Miranda; logo abaixo, movido pelas águas do rio Ipiranga, de João Gonçalves Marques, dirigido por seu cunhado João Dias Cordeiro, sendo adquirido mais tarde pelo Capitão João de Dias Negrão, em 1877, que nele beneficiou a erva mate até o ano de 1884 quando transferiu sua residência para Curitiba; em frente, pouco abaixo, o engenho de José Pinto Rebelo. No ramal do Porto de Cima, havia os engenhos de Fernando José da Siqueira e logo abaixo o do Major Vicente Ferreira de Loiola, sendo quase todos abastados capitalistas e pessoas de destaque social e político. Em Itupava, existiam os engenhos de José Inácio de Loiola, associado a Antônio Luis Ferreira, Joaquim José Batista, Lupercio José de Amaral, Joaquim Ribeiro de Macedo, José da Cunha Viana, Agostinho Maximiano Ferreira de Miranda. Na Prainha, os de João Dias Cordeiro, Antonio Diogo Guimarães e João Gonçalves Marques. No Araçá, o de Romão José de Gracia e José Miró de Freitas. Na Barreira Velha do Itupava, os engenhos do Tenente Coronel Manoel Francisco Correia Júnior, Pai do Senador do Império. Na ilha do engenho, de Antonio Luis Gomes Júnior, Manoel Antonio Xavier, Francisco José Pereira da Silva, João José Vilela, Antonio Loiola e Silva, Domingos Ricardo dos Santos, Pedro Antonio da Costa Nogueira, Joaquim Leal Nunes. No salto, havia o engenho de Manoel Saluciano Gonçalves Marques. No Cari, o de Ricardo José da Costa Guimarães. Na Esperança, o de Manoel Gonçalves Marques. No Paiol, o de José Miró de Freitas e de Santiago James Brás, no Sítio Grande. No Porto de Cima propriamente dito, haviam os engenhos de Manoel Ribeiro de Macedo, João Cristóvão da Silva, Antonio de Loiola e Silva, sogro do Comendador José Ribeiro de Macedo e do Coronel Antonio Ribeiro de Macedo, Coronel Manoel Francisco Correia Júnior, Manoel Ribeiro de Macedo Júnior no Rocio. No caminho de Antonina Bento Ribeiro Guimarães. Esses foram os grandes donos de engenhos da erva-mate, atividade marcante do grande ciclo econômico de Morretes e Porto de Cima.

14-PORTO DE CIMA

A Igreja Matriz de São Sebastião do Porto de Cima teve início a sua construção na primeira metade do século XIX, sendo definitivamente edificada em 1850, sob invocação de São Sebastião do Porto de Cima. Em 21 de fevereiro de 1875 o Clube Literário Porto Cimense, que possuiu uma biblioteca com cerca de 1.400 volumes. Neste centro de reuniões familiares realizavam-se constantes conferências artísticas, bailes e soirés lítero musicais a atraírem as atenções dos moradores de outros pontos do litoral, os quais a elas compareciam. No seu "Livro de Ouro" figuram as assinaturas de ilustres visitantes entre os quais D. Pedro II. A respeito da passagem de D. Pedro, pelo Porto de Cima, conta o Coronel Antonio Ribeiro de Macedo um fato que merece registro, do qual extraímos ligeiros episódios: "Chegou o dia da chegada do Imperador e sua Augusta esposa. As ruas se achavam de ponta a ponta engalanadas com arcos enfeitados de ílores. Também estava preparada a casa do capitalista Antonio de Loiola e Silva, que ofereceu para hospedagem de suas Majestades. Na mesa estava preparado um grande banquete. A hora aprazada postado desde a ponte os membros da Câmara Municipal de que era Presidente o Comendador José Ribeiro de Macedo, as pessoas gradas do município, senhoras e senhoritas e uma grande multidão de colonos italianos com seus trajes domingueiros. Chegou a comitiva Imperial. Foi um verdadeiro delírio. Tocou o Hino Nacional; subiram ao ar muitas girándolas e foguetes. Vivas estrepitosos soaram, respondendo o Imperador de dentro do carro, tirando o chapéu. O carro porém não parou.. .continuou a sua marcha até Morretes. Foi uma grande decepção para todos. Ao delírio de satisfação, sucedeu o delírio do descontentamento. Entenderam que era um pouco caso ou desprezo do Imperador pela localidade que o ia receber com tanta satisfação; até gritos sediosos foram ouvidos. Atrás chegaram os jornalistas e mais pessoas da comitiva imperial Viram o povo reunido e pararam para saber do que se tratava.. Viram e ouviram tudo,até os gritos sediosos dos exaltados,depois seguiram para Morretes. Ali relataram tudo o que viram, fazendo chegar aos ouvidos do Imperador, que mostrou-se muito contrariado,dizendo que no dia seguinte voltaria ao Porto de Cima.Assim sucedeu, destruindo a má impressão que tinha causado no dia antecedente.O Imperador e a Imperatriz foram recebidos pela Câmara Municipal... Um poderoso Monarca já velho e doente, por um mal-entendido de itinerário,depois de ter percorrido toda a Província do Paraná de diligência ou carro tirado a animais, ao saber da contrariedade do povo de um dos menores municípios da Província, faz uma viagem de duas léguas para retribuir as homenagens que lhes estavam preparadas. Era a característica da época, a polidez e a delicadeza. Como republicano que fui, vejo-me no dever de reconhecer. Foi esse mesmo Monarca, que em sua chegada em Paranaguá, dias antes para assistir a inauguração dos trabalhos da Estrada de Ferro, para o que estava preparado um grande baile e magnífico banquete pela companhia construtora, cujo representante a bordo apresentou-lhe o itinerário das festas, sem ter a delicadeza de consultá-lo, respondeu: - Quem faz itinerário sou eu. E com resolução, marcou a data da inauguração para o seu regresso do interior, sem se preocupar com banquetes e bailes. Firme como os poderosos, magnânimo para com o povo. Grande Imperador".

15-LEGISLAÇÃO DAS COLÔNIAS
  
Atenção leitor: Memória Histórica e Topográfica da Cidade de Morretes e Porto de Cima (transcrito do livro de Antonio Vieira dos Santos, inclusive com erros de ortografia aplicado na época da impressão do livro).

Morretes foi promovida a freguesia em 1812, por invocação de Nossa Senhora de Porto dos Três Morretes. Já se encontravam nas imediações desta freguesia inúmeros sítios e bairros muito extensos, onde povos adventícios mamelucos e índios puros e mestiços, trabalhavam nas lavouras dos colonos mais influentes e abastados, e sob esta direção, mal se disfarçava um verdadeiro estado servil. Em 1853, Morretes somava 3.709 habitantes, sendo 3.001 solteiros, 484 casados e 224 viúvos. Destes, 1.563 brancos, 1.233 mulatos e pardos, 912 negros, sendo 755 escravos. No ano de 1860 alguns norte-americanos dirigidos pelo Dr. Faivre, aqui chegaram. Fixaram-se a dois quilômetros da vila. Esta colônia denominou-se Nova América, local que, por iniciativa da Câmara de Morretes, estabeleceu o núcleo da América. Seu intuito não o era de empreender lavouras, pois montaram aqui um engenho de serrar madeira, o qual foi um desastre, pois as florestas foram desbastadas e teriam de ir buscar a matéria prima a muitos quilômetros de distância. Ainda há pouco tempo, todo este material, mesmo em ruínas, ainda existia, mas hoje já não se sabe o seu fim. Infelizmente, a obra dos norte-americanos não vigorou. Continuaram contudo a insistir na vinda de mais colonos europeus, através de reivindicações ao Presidente da Província como se vê nos ofícios que, a seguir relacionamos: 

23/09/1875... 
Limo Sr. Dr. Lamenha Lins, M.D.
Presidente da Província.
"A Câmara no intuito de promover por todos os meios possíveis a emigração espontânea, base por excelência da prosperidade de todos os Estados e faltando-lhe os meios pecuniários para iniciar este grande melhoramento em seu município, vem a presença de V. Exa. que tem por único alvo o progresso da nossa Pátria pede a V. Exa. uma quantia suficiente para a compra de terrenos nos arrabaldes desta cidade a fim de distribuí-las pelos colonos alemães para à porfia buscam essas paragens pela uberdade de seu solo, pela amenidade de seu clima e pela socialidade de seus habitantes. A Câmara pede 20 contos para este fim."

19/05/1876... "Que já conta nos terrenos suficientes para 50 Famílias de colonos destinados para este Município. Pede um engenheiro para demarcar os lotes...Edital...A Câmara etc... a factura de 50 casas provisórias para colonos, no lugar denominado "América" sob as seguintes condições: Cada casa terá 20 palmos de frente (e o sistema métrico S x)... teios de madeira ( embora não seja lavrado) vigas de gissaras maduras, uma porta e uma janela na frente e uma porta no fundo. A casa deve ser cercada de gissaras e competentes ripados e barreada devendo o pao a pique acentar sobre barrotes. As propostas devem ser dirigidas ao Sr. Presidente da Câmara dentro do prazo de 12 dias a contar desta data."

25/07/1876... "A Câmara pede ao Governo da Província a quantia de 3 contos de réis para factura de 50 casas provisórias aos Colonos da Colônia Senhora do Porto."

07/01/1878... Exmo Sr. Dr. Joaquim Bento D' 01iveira Júnior, M.D. Pres. d' Par... em cumprimento do aviso de V. Exa. de 15 de outubro de 1877 esta Câmara vem dizer a V. Exa., que tem com a maior pontualidade remetido com extensos relatórios aos dignos antecessores de V. Exa sobre as necessidades deste Município Pintando com expressivas cores o estado decedente deste Município, hoje, felizmente mais animado pela colonização "Italiana" que para aqui tem afluído melhorando o seu estado... que nenhuma Indústria pastoril, serviço, ou agrícola existe no seu Município, assim como Estabelecimentos Institutos ou Escolas Agrícola Jardins Botânicos e nem Passeios Públicos. O estado da Agricultura é deplorável sem nem esperanças de melhoras, a vista da falta absoluta dos gêneros com que ela costuma abastecer o Município.
Deus guarde V. Exma."

12/12/1878... "Várias representações de colonos deste Município queixando-se de serem suas plantações danificadas por animais..."

16/05/1885... "Protesto publicado na "Folha Nova" n° 900, "Paço da Câmara Municipal de Morretes, em sessão ordinária em 25 de abril de 1885... limo e Exmo Sr. Conselheiro, Ministro e Secretário d'Estado dos negócios da Agricultura Comércio e obras Públicas...
A Câmara Municipal de Morretes, Província do Paraná acudindo, como era seu dever, pressurisa as reclamações de seus Munícipes que se sentem ameaçados em seu futuro e prosperidade comuns, vem perante V. Exa. reclamar contra qualquer medida tendente em obstar a introdução de imigrantes nas colônias que existem no Município sobre sua administração, como parece se deprehender das poderações feitas a esse Ministério pela Sociedade de Imigração, e no ofício de 28 de março p.p. em que trata de colonização e imigração para o Paraná. Cumpre a esta Câmara informar a V. Exa. que estando colocada em terras do litoral deste Município e Província do Paraná a Colônia: Nova Itália nela não falhou a tentativa de colocação de imigrantes: se ela hoje não apresenta desenvolvimento e progresso que devia e podia apresentar é isto devido a causas extraordinárias que ninguém poderia prever quando se instalou esta colônia, as quais hoje tendo cessado de existir, a deixou felizmente em melhores condições do que as primitivas quem poderia prever que a sua fundação e organização se dariam tantas irregularidades e imprevidência que logo na primeira colocação se achegasse diminuindo o número dos imigrantes que aqui existem, para menos que um terço quando se quiz torna-los colonos X. dos que não enriqueceram e foram estabelecidos os trabalhadores, ainda aqui estão em número superior a 2000; os aventureiros atirados pelos elevados salários que se pagarão na construção da Via Férrea, abandonaram terras e familias e não mais voltarão. Os atuais colonos são trabalhadores e morigerados e gozão relativamente, ao pouco tempo, que estão trabalhando por sua conta, 4 anos de uma certa abastança que os torna contentes e promovem por cartas a vinda de seus parentes e conhecidos. Estão eles atualmente organizando perante as autoridades locais um protesto contra as consequências possíveis das ponderações feitas na carta que acima nos referimos. Este Município tem algumas terras devolutas e esta cortado de estrada de ferro servindo a não menos de 12 colônias nas quaes existem lotes demarcados e na maior parte com casas, aonde se poderão acomodar de pronto... Gabriel Pinto da Silva, Ulisses da Costa Pinto, Modesto G. Cordeiro, Sob. Bento Cordeiro, João de Deus Freitas... "Ireno da Costa Pinto, Francisco Fernandes da Rocha..." que os reclames da Assembléia Geral a Chamam a tomar assento na cadeira da representação nacional, vir patentear a V. Exa. o seu reconhecimento, pelo muito que V. Exa. fez em benefício desta parte da província. E, convencidos de que V. Exa., no parlamento, não esquecerá de pugnar pelos interesses deste Município, cuja uberdade e fertilidade do solo, salubridade e amenidade do clima, muito se recomendam a imigração européia, os membros da diretoria abaixo assinados fizeram aqui um apelo ao representante que com ardor se tem empenhado na importante cruzada desta sociedade. Se por um lado sente-se ella aniquilada pelo prazer que a domina, neste dia que o Paraná começa a sentir o vácuo deixado pelo administrador zeloso e intimamente ligado aos interesses da província que administra, por outro anima-lhe a esperança de que, no ponto culminante em que os incontestáveis direitos de V. Exa. o elevarem, visará sempre com bons olhos província juvenil. A sociedade de Imigração de Morretes vem felicitar a V. Exa. pelo modo brilhante com que desenvolveu em tão curto período de tempo a administração do Paraná conservando-se sempre na atitude da justiça e imparcialidade e significar o mais seguro protesto de reconhecimento e subida consideração.
Digne-se V. Exa. aceitar estas fracas, porém verdadeiras expressões do mais puro sentimento de gratidão. Morretes, 6 de maio de 1886 - Gabriel Pinto da Silva, presidente; José F. de Loyola, Vice-presidente; Lindolpho S. Bastos, Io Sec; Ireno da Costa Pinto, 2o Sec.; Luiz Rodrigues, thesoureiro; José R. de Almeida; Francisco A.. C. Nogueira, Antonio J. Dias de Paiva; João Huy Dalflgna Amadeu, Alceste Peterli; Bento G. Cordeiro, João de Deus Freitas, Pedro Brambilla, Thomaz Iwersen, Diretores."


"OFÍCIO COMUNICANDO A FUNDAÇÃO DA SOCIEDADE DE IMIGRAÇÃO DE MORRETES"

Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 1889.
limos e Exmos
Foi com muito prazer que esta Directoria recebeu o ofício communicando estar fundada a Sociedade de Imigração de Morretes. A sua inauguração já havia sido comunicada pelo telegrapho e por offício de nosso benemérito Vice-presidente e actual administrador d'essa Província, o Exmo Sr. Dr. Excranolle Taunay; foi porém, a comunicação de VV. Exas. que nos fez conhecer de modo mais completo a composição de sua Diretoria, Estatutos, Listas de Sócios e a suas primeiras notícias a respeito de sua fundação.
Convencida de que a Província do Paraná exerce poderosa attracção ao imigrante pelo seu clima benéfico, por suas condições de Uberdade Agrícola e pastoril, e pelo bom êxito de ensaios coloniais, de que já possue excellentes espécimens nos núcleos de diversas nacionalidades que todos ahi admiram e confiantes nos patrióticos e desinteressados esforços das Sociedades de Imigração, entre as quaes as de Morretes é chamada a representar importante papel envia esta Diretoria a a VV. Exas. a a expressão da mais cordial estima e muitos votos fervorosos para a prosperidade dessa Associação e dos grandes interesses nacionais que ella representa em bem do desenvolvimento da bella e auspiciosa Província do Paraná.
Deus Guarde a V.V. Exas. limos e Exmos Srs. Presidente e mais membros da Sociedade de Imigração de Morretes.
No impedimento de Exmo Com" General H. de Beaurepaire Rohan - Prezidente.
Sr. Ernest de Souza - Diretor, V. Secretário

De passagem para a corte, no dia 4 do corrente e Exmo. Sr. Dr. Alfredo de Escragnolle Taunay, recebeu na estação da cidade de Morretes da Diretoria da Sociedade de Imigração a manifestação seguinte:

"limo e Exmo. Sr. Dr. Alfredo de Escragnolle Taunay.
Ao deixar V. Exa., esta província onde tantos e tão importantes melhoramentos assignalou ha brilhante evolução de tão sabia e recta administração, não pode a sociedade de imigração desta cidade cujo município tanto deve a V. Exa., deixar de, neste momento em cerca de 3000 colonos, número que posteriormente aumentou. Sendo grande parte dos imigrantes natural do, norte da Itália, estes extranharam o clima de Morretes, sendo por isso tranferidos para as colônias: Alfredo Chaves, Antonio Rebouças, Novo Tirol, Murici, e Inspetor Carvalho, nò planalto de Curitiba. Em Nova Itália foram localizados 543 famílias com 2.296 pessoas. Em fevereiro de 1881 era a seguinte distribuição dos seus diversos núcleos: 

1) Rio do Pinto, com 242 habitantes italianos e 14 nacionais;
2) Sesmaria, com 620 habitantes;
3) Sítio Grande e Cari, com 248 habitantes;
4) América reconstituida em 1877, sob a denominação Nossa Senhora do Porto, com 115 habitantes (36 suiços, 32 franceses, 23 alemães. 20 brasileiros e 4 italianos) instalados em casas provisorias situadas em 66 lotes 9 hectares cada um;
5) Marques, com 245 habitantes constituindo 59 famílias italianas e 2 brasileiras;
6) Entre-Rios e Prainha, com 189 habitantes italianos;
7) Cabrestante (não chegou a ser colonizada devido a serem suas terras demasiadamente acidentadas);
8) Rio Sagrado, com 180 habitantes;
9) Ipiranga, com 145 habitantes;
10) Graciosa, núcleo menos importante da colonia Nova Itália com apenas 9 famílias de 28 pessoas;
11) Zulmira, com 33 lotes dos quais somente 9 ocupados por número de familias ou 45 pessoas. Os demais lotes foram rejeitados por serem muito acidentados e pedregosos;
12) Turvo, último núcleo demarcado e colonizado em Nova Itália ficava a esquerda do Rio Cachoeira, e por
conseguinte , no Município de Antonina. O centro desse vasto plano de colonização de Morretes e Porto de Cima. A Colônia Nova Itália foi fundada em terras doadas pela municipalidade e pelo Coronel Antonio Ricardo dos Santos e possuía em 1881, ano de sua maior prosperidade, 72 lotes ocupados por outras tantas famílias italianas compostas de 319 pessoas. Em 1884, Morretes possuía 242 escravos. A comunidade morretense dos nossos dias ainda possue alguns representantes das antigas famílias de colonizadores italianos e portugueses. De 1896 até os dias de hoje, acrescendo sobre os antigos colonizadores, Morretes acolheu inúmeras famílias sírias e japonesas que unindo-se a portugueses e italianos, constituem um dos sustentáculos deste Muncípio.

16-COLONIZAÇÃO - 1879

Os primeiros habitantes de Morretes eram, na sua maioria, de descendência portuguesa. Aos poucos se misturam com o gentio, assimilando os pequenos grupos de indígenas que encontraram. As terras foram ocupadas lentamente pelos descendentes desse primeiro grupo e por imigrantes que vieram no século passado. Eram mineradores à procura de ouro, atraídos pela situação favorável do Município.A partir de 1875, chegaram vários grupos de imigrantes italianos que aqui se fixaram dedicando-se principalmente à lavoura. Alguns descendentes desses grupos migraram posteriormente para Curitiba formando o início da colônia italiana na Capital e dissiminando também, pelo interior. Foi o acaso que fez com que eu fosse tomada pelo interesse de colocar no papel um pouco da história da minha terra. Foi encontrado por mim um documento em uma antiga propriedade em fase de demolição. E um precioso quadro da população concentrada nos diversos núcleos neste Município no ano de 1879. 

Núcleo Sesmaria - Situada a margem esquerda do rio Nhundiaquara, Frente a cidade de Morretes contém 125 lotes e foi emancipada em agosto de 1879:

1- Gregório Gonsalves e Laurinda Maria Hyppolito. Ele com 45 anos, paranaense, cultivava cana, laranja, arroz e mandioca. Ela com 36 anos, paranaense, não tinham filhos. Moradores cio lote 01 a 500 metros do marco zero.

2- Frederico - Não consta sobrenome, alemão, 45 anos, cultivava milho, laranja, feijão, banana. Morador no lote n° 02 a 500 metros do marco zero. Vivia com Maria Mendes dos Santos, paranaense, com 45 anos, sem filhos.

3- Diogo Luiz da Veiga e Cristina do Carmo - Ele com 35 anos, paranaense, ela 20 anos, Tinham dois filhos
menores, um menino e uma menina. Cultivavam milho, cana, café. laranja, feijão, arroz, mandioca e banana. Moradores do lote n° 03 a 600 metros do marco zero.

4- Américo Domingues •'Oliveira e Pedrina Antónia Pereira - Ele com 50 anos, paranaense, ela com 40 anos, paranaense, sem filhos. Cultivavam milho, cana, feijão, mandioca e banana. Moradores no lote 04 a 800 metros do marco zero.

5- Vicente Miduna e Stefania Miduna - Ele com 41 anos, italiano natural dc Treviso, ela com 43 anos, italiana também natural dc Treviso, com seis filhos menores sendo dois meninos ç quatro meninas. Cultivavam milho, cana, café, laranja, feijão e banana. Moradores no lote n° 05 a 800 metros do marco zero.

6- Francisco Simóviato e Maria Simoviato - Ele natural de Vicenza com 45 anos, ela também de Vicenza, portanto, ambos italianos, com 35 anos com 4 filhos menores, sendo um menino e três meninas. Cultivavam milho, cana, café, feijão e banana. Moradores do lote n° 06 a 900 metros do marco zero.

7- Antonio Battistel e sua Mãe Magdalena Grande - Ele com 25 anos e ela com 60 anos naturais de Beluno. Ela com mais um filho menor. Ambos portanto italianos. Cultivavam milho, cana, café, laranja, feijão, mandioca e banana.

7A- José Pradela e Maria Donarte - Ele com 3 3 anos, ela com 29 anos, italianos naturais de Treviso com cinco filhos, dois meninos e três meninas menores. Cultivavam milho, cana, café, laranja, feijão, arroz, mandioca e banana. Moradores do lote 7-A a 900 metros do marco zero.

8- Pedro Gili - Italiano de Treviso, com 29 anos solteiro, morador do lote n° 08 a 950 metros do marco zero.

9- Luigi Gili e Magdalena Gili - Ele com 46 anos, ela com 63 anos, italianos, naturais de Treviso com quatro filhos menores, dois meninos e duas meninas. Cultivavam milho, cana, café, laranja, feijão, mandioca e banana. Moradores a 1000 metros do marco zero.

10- Jacinto de Ramos - Paranaense de 56 anos de idade, cinco filhos, dois menores e dois maiores, quatro homens e uma mulher. Cultivavam, milho, cana, café, laranja, feijão, mandioca, arroz e banana. Moradores do lote n° 10 a 1100 metros do marco zero. Já possuia engenho de cachaça e fábrica de farinha.

11- Fernando l.auriano da Silva e Joana Lauriana - Paranaense, ele com 45 anos ela com 46 anos. Cultivavam cana, milho, laranja, cale, arroz, mandioca e banana. Moradores do lote n° 11 a 1200 metros do marco zero.

12- Albino J. do Nascimento e Porcina do Nascimento - Ele com 35 anos e ela com 50 anos, ambos paranaenses tendo três filhos menores sendo dois meninos e uma menina. Cultivavam milho. cana. café, arroz, banana, mandioca e laranja. Moravam no lote nº 12 a 1200 metros do marco zero.

13- Bcnedictho Luis Pereira e Maria Rosa da Conceição -Ele com 40 anos. paranaense, ela com 41 anos também paranaense, cultivavam milho, café, laranja, mandioca1, arroz, feijão e  fábrica de farinha. Moravam no lote n° 13 a 1300 melros do marco zero.

14- Victorino J. d'Oliveira e Maria do Carmo d'Olíveira - Ele com 35 aiíos. ela com 33 anos ambos paranaenses com seis filhos menores, sendo três meninos e três meninas. Cultivavam milho, calé, laranja, mandioca, arroz e banana. Moradores do lote n° 14 a 1300 metros do marco zero.

15- Pedro Manoel da Conceição - coin 33 anos de idade, paranaense, cultivava milho, café, laranja, mandioca e banana. Morador do lote nº 15 a 1400 metros do marco zero.

16- Sebastião Luiz e Rita Honorato - Ele cóm 36 anos ela Com 30 anos ambos paranaenses com quatro filhos, três meninos e uma menina. Cultivavam milho, café, laranja, mandioca, arroz e banana. Moradores dó lote n° 16 a 1500 metros do marco zero.

17- Silvana Maria - Com 45 anos, dois filhos menores e uma filha maior, cultivavam milho, cana, café, laranja, feijão, mandioca, arroz e banana. Moradores do lote n° 17 a 1600 metros do marco zero.

18- João Cyrilo da Costa - Com 46 anos de idade, paranaense. Cultivava arroz, e tinha fábrica de farinha. Morador do lote n° 18 a 2000 metros do marco zero.

19- Vicente Luiz Ferreira e Antonia Maria Nascimento - Ele com 46 anos, paranaense, ela com 3 8 anos, paranaense, quatro filhos, um homem e três mulheres todos maiores, cultivavam milho, café, laranja, feijão, mandioca, arroz e banana. Moradores do lote n° 19 e 20 a 2100 metros do marco zero.

21 - Giuseppe Aleixo e Maria Aleixo - Ele com 45 anos, italiano, natural de Vicenza, ela com 41 anos, italiana também de Vicenza. Tinham um filho e uma filha menores. Cultivavam milho, cana, café, laranja, feijão, mamão, mandioca, arroz e banana. Moravam no lote n° 21 a 3000 metros do marco zero.

22- Pedro Mello - Morava no lote n ° 22 a 3000 metros do marco zero.

23- Generosa Maria da Luz, brasileira, tinha um filho menor e uma filha maior. Cultivava milho, cana, café, laranja, feijão, mamão e banana. Morava no lote n° 23 a 3600 metros do marco zero.

24- Josué Ck e Angela Bottega - Ele com 63 anos, italiano, natural de Treviso, ela com 54 anos também de Treviso, tinham uma filha maior. Cultivavam milho, cana, café, laranja, feijão, mandioca, banana, uva e fabricavam vinho. Moravam no lote n° 24 a 3000 metros do marco zero.

25- João Martins do Nascimento, 30 anos, paranaense. Cultivava cate, laranja, mandioca e banana. Morava no lote n° 25 a 3000 metros do marco zero.

26- Primo Nadaline e Santina Nadaline - Ele com 44 anos e ela com 37 anos, italianos naturais de Verona. Tinham dois filhos e cinco filhas menores. Cultivavam milho, cana, café, laranja, uva, banana e fabricavam vinho. Moravam no lote 26 a 4500 metros do marco zero.

27- Pelligrino Biz - 20 anos, natural de Treviso. Cultivava milho, cana, laranja, feijão, mandioca e banana. Morava á 5000 metros de marco zero.

27A- Carlos Nodare e Catharina Nodare - Ele com 34 anos e ela com 32 anos, italianos naturais de Vicenza. Tinham dois filhos e uma filha menores. Cultivavam milho, cana, café, laranja, uva e fabricavam vinho. Moravam no lote n° 27-A a 5000 metros do marco zero.

28- Luidi Zattoni e Maria Zattoni - Ele com 40 anos e ela com 38 anos, italianos naturais de Vicenza. Tinham um filho e duas filhas menores. Cultivavam milho, cana, café, laranja, uva, mandioca, banana e fabricavam vinho. Moravam no lote n° 28 a 4700 metros do marco zero.

29- Domênico Bressan e Rosa Bressan - Ele com 60 anos e ela com 63 anos. italianos naturais de Vicenza. Cultivavam milho, cana, café, uva, arroz, mandioca, banana e fabricavam vinho. Moravam no lote n° 29 a 4800 metros do marco zero.

30- Justino Nunes Cordeiro e Luiza Maria do Espirito Santo - Ele com 40 anos e ela com 38 anos, paranaenses, tinham um filho e uma filha menores. Cultivavam milho, cana, café, mandioca e banana. Moravam a 4900 metros do marco zero no lote n° 30.

31 - Andrea Biz e Maria Biz - Ele com 48 anos e ela com 42 anos, italianos naturais de Treviso. Tinham quatro filhos e três filhas menores e um li lho maior. Cultivavam milho, cana, café, laranja, uva, feijão, mandioca, banana fabricavam vinho, tinham também engenho de cachaça e fábrica de farinha.

32- Francisco Dal'Comuni e Virgínia DaFComuni - Ele com 37 anos e ela com 24 anos, italianos naturais de
Mantua. Tinham três filhos e uma filha menores. Cultivavam milho, cana, café, uva. feijão e fabricavam vinho. Moravam no lote n° 32 a 4800 metros do marco zero.

33- Fortunato Sandrin e Lourença Sandrin - Ele com 30 anos e ela com 24 anos, italianos naturais de Beluno. Tinham duas filhas menores. Cultivavam milho, cana, café, laranja, feijão, mandioca e banana. Moravam no lote n° 34 a 4600 metros do marco zero.

34- Francisco Catalan e Caetana Catalan - Tinham um filho e cinco filhas menores. Moravam a 4600 metros do marco zero.

35- Lote n° 35 a 4600 metros do marco zero - devoluto.

36- Henrique Panciera e Vicentina Panciera - Ele com 48 anos e ela com 40 anos, italianos naturais de Mantua. Tinham uma filha menor. Cultivavam milho, cana, café, laranja, mandioca e banana. Moravam no lote n° 36 a 4800 metros do marco zero.

37- Victorio Bernardo e Maria Magnon - Lote franqueado a Gregório Martins.

38- Fortunato Macário e Giovanna Macário - Ele com 65 anos e ela com 59 anos, italianos naturais de Beluno. Tinham um filho menor. Cultivavam milho, cana, café, laranja, uva, feijão, mandioca, banana e tinham fábrica de farinha. Moravam no lote n° 38 a 4300 metros do marcozero.

39- Valentim Beatrici, 23 anos, italiano natural de Trento. Cultivava milho, cana, café, Faranja, uva, feijão, mandioca, banana e tinha engenho de aguardente. Morava no lote n° 39 a 4700 metros do marco zero.

40- Luigi Beatrici e Domenica Beatrici - Ele com 63 anos e ela com 48 anos, italianos naturais de Trento. Tinham três filhos e duas filhas menores. Cultivavam milho, cana, café, laranja, uva, feijão, mandioca e banana. Moravam no lote n° 40 a 4100 metros do marco zero.

41- Francisco Catelan e Caetana Catelan - Ele com 39 anos ela com 34 anos, italianos naturais de Vicenza. Tinham um filho e cinco filhas menores. Cultivavam milho, cana, café, laranja, uva, feijão, mandioca, e banana. Moravam no lote n° 79 a 4900 metros do marco zero.

42- Joaquim Fernandes Veiga e Isabel Maria de Oliveira - Ele com 33 anos e ela com 20 anos, paranaenses. Tinham quatro filhos menores. Cultivavam milho, cana, café, laranja, uva, feijão, mandioca e banana. Moravam no lote n° 80 a 5400 metros do marco zero.

43- Bôrtolo Luvizotto e Antónia Luvizotto - Ele com 45 anos e ela com 40 anos, italianos naturais de Vicenza. Tinham quatro filhos e duas filhas menores. Cultivavam milho, cana, café, laranja, mandioca e banana. Moravam no lote n° 81 a 5000 melros do marco zero.

44- Pedro Luiz Moreira - Paranaense, 28 anos, Tinha um filho e uma filha. Cultivava milho, cana e banana.
Morava no lote n° 32 a 4300 metros do marco zero.

45- Adão Pires e Catharina Pires - Ele com 40 anos e ela com 35 anos, paranaenses. Tinham três filhos e uma filha. Cultivavam mandioca e banana. Moravam no lote n° 83 a 5000 metros do marco zero.

46- Antonio Francisco Vieira dos Santos - Paranaense, 22 anos. Cultivava milho, cana, café, laranja, uva, feijão, mandioca e banana. Morava no lote n° 85 a 5500 metros do marco zero.

47- Luidi Corbeta e Angela Corbeta - Ele com 47 anos e ela com 32 anos, italianos naturais de Bergamo. Tinham dois filhos e duas li lhas. Cultivavam milho, cana, café, laranja, arroz, mandioca e banana. Moravam no lote n° 87 a 6000 metros do marco zero.

48- João Gonsalves Cordeiro e sua mãe - Ele com 22 anos e ela com 50 anos. Cultivavam cana, café, laranja, feijão, mandioca e banana. Moravam no lote n° 88 a 5700 metros do marco zero.

49-José L Pereira-Paranaense,40 anos.Tinha uma filha maior. Morava no lote n° 86 a 5000 metros do marco zero.

50- Louriano da Cruz e Clarícia da Cruz - Ele com 32 anos e ela com 30 anos, paranaenses. Tinham duas filhas menores. Cultivavam mandioca, banana e tinham fábrica de farinha. Moravam no lote n° 92 a 5600 metros do marco zero.

51- Albino Beatrici - Italiano natural de Trento, 21 anos. Cultivava milho, cana, café, laranja, uva, feijão, mandioca e banana. Morava no lote n° 78 a 4200 metros do marco zero.

52- Geronymo da Silva e Maria Seraphina - Ele com 42 anos e ela com 23 anos. Paranaenses, tinham duas filhas maiores. Cultivavam milho, café, laranja, arroz, mandioca e banana. Tinham fábrica de farinha. Moravam no lote n° 94 a 5300 metros do marco zero.

53- Luiz Martins do Nascimento e sua mãe - Ele com 38 anos e ela com 60 anos, paranaenses, ela tendo um filho menor. Cultivava café, laranja, arroz, mandioca e banana. Moravam no lote n° 95 a 3700 metros do marco zero.

54- Francisco Luiz Cordeiro - Paranaense, 66 anos. Tinha um filho menor e duas filhas maiores. Cultivava milho, cana, café, laranja, arroz, mandioca e banana. Tinha fábrica de farinha. Morava no lote nº 96 a 4400 metros do marco zero morando com ele também no mesmo lote Benedito Moreira, 60 anos, paranaense.

55- João da Silva - Paranaense, 50 anos. Tinha um filho menor e cinco filhas maiores. Cultivava cana, café, laranja, arroz, mandioca e banana. Moravam no lote nº 99 a 3600 metros o marco zero.

56- Ana Luiza e Gregório Martins - Paranaenses, ela com 30 anos e ele com 36 anos. Dois Filhos menores.
Cultivavam café, laranja, mandioca, e banana. Moravam no lote n° 100 a 3500 metros do marco zero.

57- Apolinário Martins - Paranaense, 40 anos. Cultivava milho, cana, cale, laranja, arroz, mandioca e banana. Morava no lote n° 101 a 3600 metros do marco zero e tinha fábrica de farinha.

58- João Antonio de Castro e Antónia de Castro - Ele com 40 anos e ela com 36 anos, paranaenses. Tinham duas filhas menores e um filho maior. Cultivavam café, laranja, arroz, mandioca e banana. Existia neste lote 20.000 tijolos do governo. Moravam no lote n° 102 a 3000 metros do marco zero.

59- Antonio Maria do Nascimento - Paranaense, 60 anos. Tinha dois filhos e uma filha maiores. Cultivavam milho, cana, café, laranja, arroz, mandioca e banana. Tinha fábrica de farinha. Morava no lote n° 103 a 3000 metros do marco zero.

60- Mariana da Silva - Paranaense, 65 anos. Tinha três filhos e uma filha menores e dois filhos maiores. Cultivavam cana, arroz, mandioca, e linha fábrica. Moravam no lote n° 104 a 2600 metros do marco zero. Morando também Jesuino Joaquim, 60 anos, paranaense.

61- José Antonio Miranda e Generosa Maria do Nascimento - Paranaenses, ele com 50 anos e ela com 45 anos. Tinham dois filhos menores. Cultivavam arroz e mandioca. Moravam no lote n° 105 a 2600 metros do marco zero.

62- Adão Gonsalves Corrêa e Albina Maria do Carmo- Ele com 60 anos, paranaense. Tinham em filho menor e uma filha maior. Cultivavam cana, café, laranja, arroz, mandioca e banana. Moravam no lote n° 106 a 2500 metros do marco zero.

63- João Jacintho e Benedita Martins - Ele com 30 anos e ela com 26 anos, paranaenses com três filhos menores. Cultivavam café e laranja. Moravam no lote n° 107 a 2400 metros do marco zero.

64- Antonio Torquato e Antónia Torquato - Ele com 40 anos e ela com 38 anos, italianos naturais de Treviso. Tinham dois filhos e uma filha menores e duas filhas maiores. Cultivavam cana, café, laranja, arroz, mandioca e banana. Moravam no lote n° 109 a 2100 metros do marco zero.

65- João Ramos Gonsalves e sua mãe e uma irmã - Ele com 25 anos. Moravam no lote n° 98 a 3 500 metros do marco zero.

66- Sebastião Ricardo - Paranaense, 25 anos. Tinha dois filhos e duas filhas menores. Cultivavam milho, cana, café, laranja, mandioca, feijão e banana. Morava no lote n° 112 a 1550 melros cio marco zero.

67- Iphigenia Maria Angélica - Paranaense, 45 anos. Tinha dois filhos maiores. Cultivava arroz, feijão e mandioca. Morava no lote n° 113 a 1700 metros do marco zero.

68- Leopoldina Maria da Cruz - Paranaense, 62 anos. Tinha um filho e duas filhas maiores. Cultivavam milho, cana, café, laranja, arroz, feijão, mandioca e banana. Tinha uma fábrica. Morava rio lote n° 114 a 1500 metros do marco zero.

69- José Augusto de Moraes e Catharina Maria do Nascimento - ambos com 30 anos, paranaenses. Tinham um filho e uma filha menores. Cultivavam milho, café, laranja, arroz, feijão e mandioca. Moravam no lote n° 116 a 1450 metros do marco zero.

70- Luiza Alves Cardoso - Paranaense, 40 anos. Tinha dois filhos e uma filha menores e uma filha maior. Cultavavam milho, cana, café, laranja e banana. Morava no lote n° 118 a 1200 metros do marco zero.

71- Bôrtolo Berton e Luiza Berton - Ele com 67 anos e ela com 62 anos, italianos naturais de Treviso. Tinham dois filhos e três filftasmenores. Cultivavam milho, Cana, café e banana. Moravam'no lote n° 119 a 1200 metros do marco zero. 

72- Angela Ponidi - italiana. 38 anos. Tinha quatro filhos maiores. Cultivava milho, cana, café, laranja e banana. Morava no lote n° 120 a 900 metros de marco zero.

73- Bôrtolo Scremim e Joanna Scremim - Ele com 72 anos e ela com 62 anos. italianos naturais de Vizenza.
Tinham dois filhos e três ti lhas maiores. Moravam no lote n° 121 a 1 metro do marco zero.

74- Bôrtolo Scremim e Maria Fossem - Ele com 50 anos e ela com 40 anos, italianos naturais de Vicenza. Tinham dois filhos e duas filhas menores. Cultivavam milho, cana, café, laranja e banana. Moravam no lote n° 122 a 1400 metros do marco zero.

75- Domingos de Souza - Paranaense, 28 anos. Cultivava café, arroz, mandioca e banana. Tinha uma fábrica de farinha. Morava no lote n° 123 a 3300 metros do marco zero.

76- Manoel Martins e Justina Maria Espirito Santo - Ele com 25 anos e ela com 22 anos, paranaenses. Tinham um filho e três filhas menores. Cultivavam cana, café, arroz, mandioca e banana. Moravam no lote n° 124 a 3600 metros do marco zero.

77- Fidêncio da Silva e Sebastiana da Silva - Ele com 54 anos e ela com 50 anos, paranaenses. Tinham dois filhos e uma filha menores. Cultivavam arroz, mandioca e banana. Moravam no lote n° 125 a 3700 metros do marco zero.

78- Maximiana Maria Ferreira e seu irmão - Ela com 32 anos e ele com 30 anos, paranaenses. Moravam no lote n° 110 a 1500 metros do marco zero.

79- Ireno de Paula e Maria de Paula - Ele com 50 anos e ela com 49 anos. Tinham um filho e uma filha maiores. Cultivavam cana e mandioca. Tinham uma fábrica de farinha. Moradores no lote n° 111 a 1400 metros do marco zero.

80- Firmino Luiz Nogueira e Maria Veiga - Ele com 45anos e ela com 40 anos, paranaenses. Tinham três Filhas menores e duas maiores. Passam para Cezarino Armando Nascimento, paranaense o lote n° 115 a 1300 metros do marco zero.

81 - José Balduíno e Porcina Leocádia - Ele com 39 anos e ela com 36 anos, paranaenses. Tinham um filho e quatro filhas menores. Moravam no lote n° 117 a 2000 metros do marco zero.

82- Santi Bertazoni e Palmira Valença - Ele com 46 anos e ela com 37 anos, italianos naturais de Mantua. Tinham duas filhas menores e um filho maior. Cultivavam milho, cana, café, uva, laranja, banana, feijão e mandioca. Moravam no lote n° 58 a 3600 metros do marco zero.

83- Luigi Balthasoni - Morava no lote n° 58A a 3600 metros do marco zero.

84- Inácio Marinho - Paranaense 46 anos. Tinha dois filhos e quatro filhas menores e sua esposa Maria Alves com 40 anos. Moravam no lote n° 51.

85- Giovani Orlandi e sua mulher - Moravam no lote n° 44 a 5 metros do marco zero.

86- Antonio da Costa Pires e Tereza Pires - Ele com 45 anos e ela com 40 anos, paranaenses. Tinham um filho e duas filhas menores e uma filha maior. Cultivavam milho, café, laranja, banana, feijão e mandioca. Tinham engenho de cachaça. Moravam no lote n° 89 a 6500 metros do marco zero.

87- Claremundo Luiz dos Santos - Paranaense, 25 anos. Morava no lote n° 46 a 3500 metros do marco zero.

88- Francisco Catalan e Caetana Catalan - Tinham um filho e cinco filhas menores. Moravam no lote n° 69.

89- Giuseppe Cavagnolli e Rosa Cavagnolli - Ambos com 33 anos, italianos naturais de Mantua. Tinham dois filhos menores. Cultivavam milho, cana, café, uva, banana, feijão, mandioca e tinham engenhos de cachaça e arroz e uma fábrica de farinha. Moravam no lote n° 57 a 4 metros do marco zero.



 
Ah! As minhas minas de ouro! Que festival faraônico deveria ser! Uns querendo mais poder que os outros! Quantos escravos! Quantos filhos bastardos! Quantas lágrimas pranteadas pela ganância! As grandes edificações! Os grandes homens das minas! Tudo passa! Quem lembra?
Morretes, sobrevivestes a tua glória com a mesma humildade de agora.


Núcleo Rio Sagrado - Situado no prolongamento da estrada que corta o núcleo Rio do Pinto na estrada que segue para as Canavieiras e Guaratuba. Contém 42 lotes emancipados:


1- Giacomo Arboite e Paula Arboite - Ele com 46 anos e ela com 42 anos, italianos, naturais de Beluno. Tinham três filhos e duas filhas menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva, feijão, mandioca e banana. Moradores do lote n° 01 a 13.400 metros do marco zero.

2- Bôrtolo Lasarotto e Maria Magdalena - Ele com 48 anos ela com 42 anos, naturais de Vicenza. Tinham dois filhos menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva, mandioca e banana. Moradores do lote n° 03 a 13.500 metros do marco zero.

3- Tezziano Foltran - Tinha 20 anos, natural de Treviso na Itália. Cultivava: milho, cana, café, mandioca e banana. Morador do lote n° 05 a 13.600 metros do marco zero.

4- Michel Alessandro e Maria Magdalena - Ele com 36 anos ela com 47 anos, italianos, ele era natural de Vicenza e ela da Cremona tinham um casal de filhos menores. Cultivavam: milho, cana, café, feijão, mandioca e banana. Moradores do lote n° 06 a 13.700 metros do marco zero.

5- Domênico Nadal - Italiano, natural de Treviso com 30 anos. Cultivava: milho, cana, café, laranja, feijão e banana. Morador do lote n° 07 a 14.000 metros do marco zero.

6- Agostinho Checon - Italiano, natural de Vicenza, 36 anos. Cultivava: milho, cana, feijão e banana. Morador do lote n° 08 14.200 metros do marco zero.

7- Pedro Simão e Maria Simão - Ele com 21 anos e ela com 27. Italianos, naturais de Trento, tinham três filhas e um filho menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, feijão, banana. Moradores do lote n° 09 a 14.000 metros do marco zero.

8- João Vidal e Damazia Vidal - paranaenses, ele com 35 anos ela com 25 anos. Tinham três filhas e dois filhos menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, feijão, mandioca e banana. Moradores do lote n° 10 a 14.400 metros do marco zero.

9- Agostinho Moratto e Rosa Moratto - Italianos, naturais de Treviso, Ele com 37 anos, ela com 42 anos. Tinham dois filhos, e uma filha menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva, feijão, mandioca e banana. Moradores do lote n° 11 a 15.100 metros do marco zero.

10- Bôrtolo Borsato e MariaBorsato - Italianos, naturais de Vicenza, ele com 48 anos, ela com 46 anos, tinham dois filhos e uma filha. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, feijão, mandioca e banana. Moradores no lote nº 12 a 15.200 metros do marco zero.

11- Natale Marconsini e Regina Marconsini - Italianos, naturais de Verona, ele com 45 anos, ela com 41, tinham três filhos e duas filhas. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva, feijão, mandioca e banana. Moradores do lote n° 13 a 16.000 metros do marco zero.

12- Giovanni Borsato - Italiano de Vicenza, com 35 anos. Cultava: milho, cana, café, laranja, uva, feijão, mandioca e banana. Moradores do lote n° 14 a 15.300 metros do marco zero.

13- Giovanni Trintin c Ana Trintin - Italianos naturais de Treviso, ele com 37 anos, ela com 32. Tinham três filhos e duas filhas. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva, feijão, mandioca e banana. Moradores no lote n° 15 a 17.000 metros do marco zero

14- Giovanni Foltran e Pasckva Foltran - Italianos, naturais de Treviso, ele com 50 anos ela com 37 anos, tinham um filho menor e duas filhas também menores, Cultivavam: café, laranja, banana. Moradores no lote n° 16 a 15.400 metros do marco zero.

15- Marina Modolo - Italiana, natural de Treviso, viúva, com 42 anos. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva, feijão, mandioca e banana. Moradores no lote n° 17 a 17.000 metros do marco zero.

14- Giovanni Pansolin - Natural de Treviso, com 19 anos. Cultivava: milho, cana, café, laranja, uva, feijão,
mandioca e banana. Morador no lote n°l 8 a 15.500 metros do marco zero.

15- Paolo Nadal e Maria Nadal - Italianos, naturais de Treviso. Ele com 46 anos e ela com 42 anos. Tinham três filhos e duas filhas menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, mandioca e banana. Moradores no lote n° 19 a 17.400 metros do marco zero.

16-Antonio Pansolin - Italiano, natural de Treviso, com 31 anos. Cultivava: milho, cana, café, feijão, mandioca e banana. Morador no lote n° 20 a 15.600 metros do marco zero.

17- Bôrtolo Foltran c Catharina Foltran - Italianos, naturais de Treviso ele com 44 anos, ela com 42 anos, tinham dois filhos e uma filha menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva e banana. Moradores no lote n° 21 a 17.500 metros do marco zero.

18- Luigi Pansolin e Bona Pansolin - Italianos de Treviso, ele com 47 anos, ela com 44 anos, tinham três filhos e uma filha menores. Cultivavam: milho, café, cana, laranja, feijão, mandioca e banana. Moradores do lote n° 22 a 15.700 do marco zero.

19- Bôrtolo Bornansin e Isabel Bornansin - Italianos, naturais de Treviso, ele com 41 anos, ela com 36 anos, tinham uma filha manor. Cultivavam: Milho, cana, café, feijão, mandiocae banana. Moradores no lote n° 23 a 17.600 metros do marco zero.

20- Thomaz Battista e Margarida Battista - Italianos, naturais de Trento, ele com 44 anos, ela com 32 anos, tinham três filhos menores. Cultivavam: milho, cana, feijão, mandioca e banana. Moradores do lote n° 24 a 15.800 metros do marco zero.

21- Francesco Guzzella e Maria Guzzella - Italianos, naturais de Treviso, ele com 60 anos, ela com 50 anos.
Cultivavam: milho, cana, café, laranja, feijão, mandioca e banana. Moradores do lote n° 25 a 18.500 metros do marco zero.

22- Giuseppe Causura e Tereza Causura - Italianos, naturais de Treviso, com 43 anos e 42 anos, tinham dois filhos e uma filha, menores, cultivavam: milho, cana, café, laranja, feijão, mandioca e banana. Moradores no lote n° 26 a 18.000 metros do marco zero.

23- Benedito Pereira da Luz e Maria Pereira da Luz - parananeses, ele com 50 anos, ela com 35 anos. Tinham dois filhos menores e um filho maior. Cultivavam: milho, café, cana, laranja, feijão, mandioca, banana. Moradores no lote n° 27 a 16.000 metros do marco zero.

24- Giovanni Berton e Anna Berton - Italianos, naturais de Treviso, ele com 37 anos, ela com 33 anos. Tinham um casal de filhos menores. Moradores no lote n° 28 a 16.000 metros do marco zero.

25 - Thomaz e Margarida - Italianos naturais de Treviso, não consta sobrenome, ele com 50 anos, ela com 45 anos, tinham duas filhas menores e duas filhas maiores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, feijão, mandioca e banana. Moradores do lote n° 29 a 15.500 metros do marco zero.

26- Zeferino Introvigni e Josephina Introvigni - Italianos Naturais de Treviso, ele com 35 anos, ela com 24 anos. Tinham um filho. Cultivavam: milho, cana, café, feijão, mandioca e banana. Moradores no lote n° 30 a 16.000 metros do marco zero.

27- José Vicente de Freitas - Paranaense, 40 anos. Cultivava: milho, cana, café, feijão, mandioca e banana. Morador no lote n° 31 a 16.100 metros do marco zero.

28- Giacomo Nadal e AngelaNadal - Italianos, naturais de Treviso, tinham 4 li 1 hos e duas filhas menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, feijão e banana. Moradores no lote n° 32 a 17.000 metros do marco zero.

29- Vicente José de Freitas e Maria Antónia Luiza - Paranaenses. Ele com 60 anos e ela com 50 anos. Tinham duas filhas maiores, cultivavam: milho, cana, café, feijão, mandioca e banana. Moradores no lote n° 33 a 16.300 metros do marco zero.

30- Pedro Cordeiro - Paranaense, 20 anos. Cultivava: milho, cana, café, feijão, mandioca e banana. Morador no lote n° 34 a 16.400 metros do marco zero.

31- Amando Alves - Paranaense com 3 3 anos, Cultivava: milho, cana, café, feijão, mandioca e banana. Morador no lote n° 37 a 17.000 metros do marco zero.

32- João Guzzella e Angela Guzzella - Italianos, naturais de Treviso, ele com 36 anos ela com 30. Tinham um filho e duas filhas menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, feijão e banana. Moradores no lote n° 38 a 18.500 metros do marco zero.

33- Antonio Vicente de Freitas e Josepha de Freitas - Paranaenses, ele com 36 anos ela com 30. Cultivavam: milho, cana, café, feijão, mandioca e banana. Moradores no lote n° 39 a 16.300 metros do marco zero.

34- Ermelino Alves e Sebastiana Pereira - Paranaenses, ele com 25 anos, ela com 24. Tinham um filho menor, cultivavam: milho, cana, café, feijão, mandioca e banana. Moradores no lote n° 40 a 16.400 metros do marco zero.

35- João Manoel da Silva e Maria Ribeiro da Silva - Paranaenses, ele com 50 anos, ela com 40, tinham dois filhos e quatro filhas menores e uma filha maior. Cultivavam: milho, cana, café, mandioca e banana. Moradores no lote n° 41a 17.000 metros do marco zero.

36- Gertrudes Maria de Freitas - Paranaense, com 28 anos, cultivava: milho, cana, café, feijão, mandioca e
banana. Tinham três filhos menores e uma filha também menor. Moradores no lote n° 42 a 17.000 metros do marco zero.


Núcleo Sítio Grande e Cary - Situado nos subúrbios da cidade de Morretes. Contém 58 lotes e foi emancipada em 06 de fevereiro de 1879:


1- Alexandre Bridaroli e Betha Bridaroli - Ele com 53 anos, natural de Trento Itália, ela com 53 anos também natural de Trento. Tinham um filho e uma filha maiores, e um filho menor. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva, feijão e banana. Moradores no lote n° 01 a 1.900 metros do marco zero.

2- Giuseppe Moro e Margarida Moro - Ele com 57 anos italiano natural de Vicensa, ela com 45 anos também de Vicensa. Tinham três filhos e duas filhas menores e um filho maior. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva, feijão e banana. Moradores no lote n° 02 a 2.000 metros do marco zero.

3- Antonio Brandalize e Domenica Brandalize - Ele com 48 anos natural de Belém, ela com 38 anos também natural de Belém. Tinham sete filhos e uma filha menores e um filho e uma filha maiores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva, banana e feijão. Moravam no lote n° 03 a 2.100 metros do marco zero.

4- Gava Matheu e Camilla Matheu - Ele com 28 anos natural de Treviso, Itália, ela com 23 anos também natural de Treviso, sua mãe com 60 anos. Tinham dois filhos e uma filha menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva, banana e feijão. Moravam no lote n° 04 a 2.200 metros do marco zero.

5- Margarida Malucelli 50 anos, natural de Vicenza 4 filhos menores e 2 filhos e uma filha maiores. Cultivavam: milho, cana, banana e laranja, moravam ainda nos lotes 05 e 06 a 2.200 e 2.300 metros do marco zero. Marcos Malucelli e Josephina Malucelli. Ele com 25 anos e ela com 20 anos, naturais de Vicenza.

6- Fermino J. Cordeiro - 32 anos, parananaense, com 2 filhos menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva, feijão e banana. Morava no lote nº 07 a 2.100 metros do marco zero.

7- Tonitta Antónia - 52 anos, natural de Vicenza tinha 2 filhos e uma filha maiores e três filhos e duas filhas menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva, feijão e banana. Morava no lote n° 08 a 2.200 metros do marco zero.

8- Bernardo Túlio e Judithe Túlio - Ele com 41 anos natural de Vicenza, ela com 35 anos também natural de Vicenza. Tinham três filhos e duas filhas menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, feijão e banana. Moradores do lote n° 09-A a 2.200 metros do marco zero.

10-Pedro Alessie Domenica Alessi- Ele com 45 anos, ela com 42 anos. Naturais de Vicenza, Itália. Tinham 4 filhos e uma filha menores. Cultivavam: milho, cana, café, uva, laranja e banana. Moradores do lote n° 10 a 1.800 metros do marco zero.

11- Giovani Strapazon e Flora Strapazon - Ele com 38 anos, ela com 3 5 anos, os dois naturais de Treviso. Com dois filhos e duas filhas menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva, feijão e banana. Moravam no lote n° 09 a 2.200 metros do marco zero.

12- Francisco Dalgoblo e Maria Dalgoblo - Ele com 47 anos ela com 40 anos, natural de Treviso. Tinham duas filhas menores e uma filha maior. Cultivavam: milho, cana, laranja, uva, feijão, mandioca e banana. Moradores no lote n° 11 a 1.900 metros do marco zero.

13 - Giovanni Gobbo e Maria Luiza Gobbo - Ele com 48 anos, ela com 33 anos, italianos naturais de Treviso, Morava ainda com Maria Luiza um irmão menor. Há provavelmente algum erro de ortografia na listagem, pois a família morava no lote 11-A, onde moravam também os Dalgoblo, a 1.900 metros do marco zero.

14- Máximo Valério e Margarida Valério - Ele com 50 anos ela com 49 anos, italianos, naturais de Vicenza. Tinham um filho e duas filhas menores e um filho maior. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva, arroz, mandioca e banana. Moradores do lote n° 12 a 1.500 metros do marco zero.

15- Luigi Canetti e Izabel Canetti e Fortunato Canetti - Fortunato Canetti. com 30 anos, Luigi com 22 anos, italianos, não especifica origem. Moradores do lote n° 14 a 1.600 metros do marco zero.

16- Domingos Toni e Úrsula Toni - Ele com 64 anos e ela com 50 anos. naturais de Belém, italianos. Um filho e uma filha menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja,uva e banana. Moradores do lote n° 16 a 1.500 metros do marco zero.

17- Santiago James Bras e Emilia Bras - Ele com 30 anos e ela com 25 anos, paranaenses. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, mandioca e banana. Moravam no lote n° 17 a 1.400 metros do marco zero.

18- Centofonste Guiseppe e Stella Guiseppe - Ele com 35 anos ela com 37 anos, italianos, naturais de Vicenza. Cultivavam: milho, cana, café, laranja e banana. Moradores do lote n° 18 a 1.200 metros do marco zero.

19- Giuseppe Brunello e Angela Brunello - Ele com 46 anos e ela com 48 anos naturais de Vicenza. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva e banana. Tinham um casal de filhos maiores. Moradores do lote n° 19 a 1.300 metros do marco zero.

20- Giacomo Pissato e Giovvanna Pissato - Ele com 42 anos e ela com 32 anos, naturais de Vicenza Itália. Tinham três filhos menores e três filhas maiores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva, mandioca e banana. Moravam no lote n° 20 a 1.400 metros do marco zero.

21- Giovvanni Scucato e Maria Scucato - Ele com 49 anos e ela com 32. Italianos, naturais de Vicenza. Tinham três filhos e uma filha menores e três filhas e um filho maiores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja e banana. Moravam no lote n° 21 a 1.500 metros do marco zero.

22- Scapin Giovanni e Rosa Marcon - Ele com 39 anos e ela com 36 anos. Ele natural de Treviso e ela Natural de Vicenza. Cultivavam milho e cana. Moravam no lote n° 22 e 22-A a 1.600 metros do marco zero.

23- Giovanni Fávaro e Luiza Fávaro - Ele e ela com 40 anos naturais de Pádua. Tinham dois filhos e uma filha menores e uma filha maior. Cultivavam: milho, cana e banana. Moradores do lote n° 23 a 1.700 metros do marco zero.

24- Pietro Dalli Carbonari e Luiza Carbonari. Ele com 39 anos e ela com 38 anos, italianos, naturais de Vicenza. Tinham quatro filhos menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranaja, feijão mandioca e banana. Moravam no lote n° 24 a 1.800 metros do marco zero.

25- João Batista Binatto e Margarida Binatto - Ele com 29 anos e ela com 28 anos. Italianos, naturais de Beluno. Tinham dois filhos e uma filha menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, feijão, mandioca e banana. Moradores do lote n° 35 a 2.500 metros do marco zero.

26- Ireno V. da Silva e Joana Maria do Nascimento - Paranaenses, ele com 32 anos e ela com 30 anos. Moravam no lote n° 39 a 2.800 metros do marco zero. Tinham dois filhos e duas filhas menores. Cultivavam: milho, laranja, café, arroz, feijão, mandioca e banana.

27- Giovanni Cecasto Primeiro e Anna Cecasto - Ele com 45 anos e ela com 36 anos. Italianos, naturais de Beluno, tinha um filho menor. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, feijão, mandioca e banana. Moravam no lote n° 41 a 2.900 metros do marco zero.

28- Giovanni Cecasto Segundo e Angela Cecasto - Ele com 48 anos e ela com 35 anos. Naturais de Beluno, Itália. Tinham quatro filhos e duas filhas menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, feijão, mandioca e banana. Moradores do lote n° 43 a 3.000 metros do marco zero.

30- Sebastião Honorato e Maria Benedicta - Ele com 50 anos e ela com 40 anos. Paranaenses, tinham seis filhos e quatro filhas menores e um filhos maior. Cultivavam: milho, café, laranja, feijão, mandioca e banana. Moradores do lote n° 45 a 3.600 metros do marco zero.

31- João Macagnon e Oliana Maria - Ele com 35 anos, ela com 28 anos naturais de Beluno, Itália. Tinham dois filhos e uma filha menor. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, uva, feijão, mandioca e banana. Moravam no lote n° 47 a 2.500 metros do marco zero.

32- Bôrtolo Diroco e Giovanna Diroco - Ele com 55 anos, ela com 53. Naturais de Beluno, Itália. Tinham um filho e uma filha maiores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, feijão, mandioca e banana. Moravam no lote n° 48 a 2.400 metros do marco zero.

33 - Antonio Luiz da Costa e Augusta da Costa - Ele com 40 anos e ela com 35 anos. Paranaenses, tinham um filho menor. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, feijão, mandioca e banana. Moradores do lote n° 49 a 2.300 metros do marco zero.

34- Giüvanhi Dimim e Thereza Victelli - Ele com 44 anos, ela com 46 anos. Naturais de Beluno, Itália. Tinham um filho menor. Cultivavam: milho, cana, laranja, feijão, mandioca e banana. Moradores do lote n° 50 a 2.200 metros do marco zero.

35- Celestino Minin e Catharina Minin - Ele com 40 anos e ela com 36 anos. Naturais de Beluno, Itália. Tinham três filhos e cinco filhas menores. Cultivavam: milho, cana, laranja, feijão, mandioca e banana. Moradores do lote n° 52 a 2.900 metros do marco zero.

36- Bôrtolo Bortolin e Francisca Bortolin - Ele com 51anos e ela com 42 anos. Naturais de Treviso, Itália. Tinham três filhas e um filho menores. Cultivavam: milho, cana, café, mandioca e banana. Moravam no lote n° 54 a 3.100 metros do marco zero.

37- Santi Bartassoni 20 anos. Natural de Mantua Itália. Cultivava: milho, cana, café, laranja, uva, feijão mandioca e banana. Morava no lote n° 36 a 4.000 metros do marco zero.

38- Manoel Feliciano 65 anos um casal de filhos maiores. Paranaense. Cultivava: cana, milho, café, laranja, banana, feijão e mandioca. Tinha também uma fábrica de farinha. Morador do lote n° 15 a 1.600 metros do marco zero, do Porto de Cima.

39- Malachias de Ramos e Anna de Ramos - Ele com 40 anos e ela com 35 anos. Paranaense. Cultivavam: milho, cana, café,laranja, banana, feijão e mandioca. Tinham também uma fábrica de farinha. Moravam no lote n° 15-A a 1.600 metros do marco zero.

40- João de Ramos e Balbina de Ramos - Ele com 45 anos e ela com 40 unos. Paranaenses, tinham quatro filhos e uma filha menores. Cultivavam: milho, cana, café, laranja, banana, feijão, mandioca e tinha uma fábrica de farinha. Morava no lote n° í 5-B a 1.600 metros do marco zero do Porto de Cima.

41- Maria Roza Vianna, moradora do lote n° 15-C a 1.600 metros do marco zero do Porto de Cima.


O restante dos lotes, que perfazem o total de 58, estavam devolutos. Provavelmente para distribuição dos nomes abaixo relacionados, encontrados em folha à parte:

Celestino Naran/Dona Pezzaldo - Beluno
Antonio Valério - Vicenza
Giovanni Arigon - Vicenza
Giura Francesco - Vicenza
Brida Giuseppe - Vicenza
Sigalla Vincenzo - Vicenza
Zaccarias Giuseppe - Vicenza
Antonio Moro - Vicenza
Christiano Borioli - Vicenza
Giovvani Spissato - Vicenza
Dalcucchi Alessandre - Mantua
Antonio Valério - Vicenza
Giovanni Deli'agno - Belém
Sebastião Deli'agno - Belém
Casagrande Caetano - Vicenza
Arigon Antonio - Vicenza
Trinlo Santo - Vicenza
Piccoli Antonio - Vicenza
Maria Gurion - Treviso
Centofonle Giovanni - Vicenza
Giacomo Bealrici - Trento
Cenzi DefConuine - Mantua
Luigi Passamai - Treviso
Luigi Catalan - Vicenza
Giovanni Briglio - Viccnza
Bôrtolo Bruglio - Viccnza
Barbine Battista - Vicenza
Valentin Simonato - Viccnza
Paolo Trombini - Mantua
Antonio Biz - Treviso
Mateo de Toffoti - Treviso
Giovanni Mosco - Beluno
Luigi de Marco - Beluno
Felice Perecenti - Beluno

Stella Maris, Morretes, 1995.

Quando eu era pequena e ia a missa com minha mãe, eu via aquele homem com cara de santo e não despregava os olhos. Era o Sr. Antonio Cavagnolli. Mais tarde, comecei a fazer compras sozinha, e minha mãe não era mais moinheira, eu levava o milho para moer no seu moinho, móz de pedra. A sua casa na rua 15 de novembro, era grande, de estilo colonial português, com uma escada de uns cinco degraus na frente, diversos quartos à esquerda e direita com corredor no meio, que dava para um salão. Ai eu achava a coisa mais linda e gostosa, principalmente nos dias de calor, pois nessa sala tinha um canal com uma roda para rodar, que empurrava muita água em forma de vapor e onde nós chegávamos para refrescar do abrasador calor de Morretes. D. Mercedes nos recebia com aquele sorriso. Antes da roda ficava o lugar onde eram lavadas as panelas e as louças as quais eram secadas na beira do canal, e em continuação, para dentro, estavam os vasos de begónias prateadas e outras folhagens, dando ao ambiente muita singeleza e paz inesquecíveis. O assoalho de pinho branco, bem gasto de tanto ser esfregado com potássa e areia. A cozinha nesse mesmo salão ao lado direito, tinha fogão à lenha, de cimento vermelho. As panelas e o tacho de polenta tinindo e brilhando. A "panela de arroz" como era chamada ,de ágata azul, com pintinhas saramilhadas. Num lado, a prateleira toda enfeitada com "bicos"de papel, com canecas penduradas em ganchinhos, algumas delas com o tradicional "felicidades". Do lado da prateleira nuns pregos, a espumadeira, a concha e a "mêscola" de madeira para mexer a polenta. No fundo do quintal, as verduras para complemento de outros pratos.
Ai, que saudade que dá!
Nena

Esta carta, que fala com tanto carinho dos meus avós, Mercedes e Antônio Cavagnolli, foi escrita por D. Madalena Malucelli Trombini, descrevendo suas horas de alegria com muito saudosismo, das horas que passava ao lado deles. Dona Nena, descreve como começou o clã dos Malucelli, uma das mais tradicionais famílias paranaenses:

A minha família começou assim. Em 10 de abril de 1877, chegaram em Paranaguá entre outros imigrantes, Giovanni Malucelli e Margherita Gobbo Malucelli com os filhos: Marco, Lourenço, Baptista, Antonio, João e Domingos; e filhas: Lúcia e Justina. De Paranaguá foram para Alexandra para um barracão que hospedava essa gente que vinha da Itália, com muita esperança de dias melhores. Meu avô Giovanni foi de pouca sorte, pois, já nos quatro meses após a chegada ainda nesse barracão foi vítima fatal da maleita, vindo a falecer em dois anos, a 28 de abril de 1879, já residente na estrada do Porto na Ponte Alta esquina da Estrada da Raia, que ia até o engenho do Central no Sítio Grande. Minha avó viúva não esmoreceu. Com garra criou, muito bem seus filhos. Mudando-se da Ponte Alta para o Sítio Grande. Pois havia comprado lá um bom terreno instalando no local uma engenhoca de pinga e açúcar de tacho. Mais tarde veio a construir o engenho Mirim. 20 anos após sua chegada construiu o sobradão, enchendo-o de netos... Comandou tudo sem aprender o português, pois apenas seus filhos tiveram essa oportunidade.
Margherita, foi uma grande mulher...
O meu avô Giuseppe Doff Sotta, veio em 1880, de Imer, Trento, Itália. Homem forte, bom e paciente, pois na Itália era tido entre seus amigos como o apaziguador. Quando aos domingos os moradores bebiam ebrigavam, ele era chamado para colocar ordem no local. Pegava os tumultuadores pelo peito, erguia-os, batendo um ao outro e perguntando-lhes quando iriam parar. Atirando-os longe. Um dia chegaram dois cobradores de impostos, para lhe cobrar impostos sobre um pé de fumo que havia nascido em seu quintal onde havia apenas um canteiro de chicória e cheiro verde. Ele negou o pagamento, alegando ser marceneiro e entalhador, não agricultor. Começou ali uma discussão. Nervoso, ele pegou os dois homens e arressou-os longe. Os dois porem voltaram mais tarde, trazendo com eles mais oito homens. Foi preso por seis meses, pois não queria justificar-se perante o juiz. Neste período, perde no parto da esposa, ela e seu filho. Revoltado por proibirem-no ver os entes queridos falecidos, resolveu abandonar aquele país injusto, como homem de bem. Casou-se novamente tendo mais três filhos. Conseguiu durante este período, juntar o suficiente dinheiro para vir ao Brasil, onde muitos amigos já estavam vivendo. O dinheiro foi conseguido com a venda da fazenda que rendia o sustento produzindo leite, queijo e outras criações. O sobradão onde morava e possuía marcenaria, não conseguiu vende-lo, e resolveu então, abandoná-lo. Quando chegaram a Antonina, para somar com os outros, João Ambrosino, Maria Catharina, Luiza e mais Pedro e Magdalena, que eram do primeiro casamento. A segunda esposa chamava-se Maria Simion, minha avó. Através de amigos italianos que moravam em Santa Maria do Pé da Serra, comprou um terreno, ficando lá pouco tempo, foi para um armazém e hotel em São João da Graciosa. Sempre voltando para Santa Maria do Pé da Serra, para plantar milho para polenta, anual. Ele cuidava do armazém, e o hotel era muito bem gerenciado pela tia Madalena. O armazém acabou falindo, pois o Giuseppe, muito piedoso, vendia fiado e anotava assim: 2 kg de feijão, café e sal para uma mulher com cesta no braço. Uma medida de tecido vermelho, para um homem com um remendo no joelho. Uma menina de vestido vermelho levou... Quando era repreendido pela sua filha, ele dizia: Deixe por conta, eles vão pagar. Quando surgiu a estrada de ferro Curitiba-Paranaguá, fracassou não só o armazém mas também o hotel. Mudou-se então para o Marambaia, instalando ali um engenho de pinga e açúcar, uma ferraria e uma fábrica de carroças na cidade. Pois era mais ou menos o que ele sabia fazer. Junto com o tio João foram muito bem, como ferreiro que era. A tia Magdalena cuidava do armazém. Entre tantas curiosidades, encontrei uma história a qual deixou-me fascinada. Corre o ano de 1894. Saem da Itália, mais precisamente do Piemonte, ao norte do país, a família Guignone. O engenheiro era especialista em beneficiar papel e havia sido contratado para dirigir tecnicamente uma fábrica de papel em Mendes no Estado do Rio de Janeiro. Ao chegarem no Brasil, constatam que simplesmente a fábrica não existia. A esposa do engenheiro Guignone sugere que partam imediatame para a terra natal pois o navio poderia ainda estar no porto. Guignone foi irredutível e resolve ficar. O técnico em papel é convidado, após ter feito vários contactos, a trabalhar em Salto do Itú, no Estado de São Paulo, convite este feito pelo, General Couto de Magalhães. Transfere sua família para Salto de Itú e encontra sérias dificuldades, pois a maleita era o mal que assolava o país nessa época. Encontra um senhor professor e escritor com o nome de Rocha Pombo e faz amizade, tomando conhecimento através do mesmo, de uma cidade no Paraná com o nome de Morretes onde havia uma fábrica de papel e onde nunca houve qualquer epidemia, pois Guignone comentava que estava cansado de ver seus entes queridos sempre acamados, acometidos pelo mal da época. Mais tarde, encontra um amigo italiano que lhe faz a mesma sugestão. Morretes seria seu próximo destino. Consegue fixar-se na cidade e inicia o trabalho como técnico em papel. Seu filho João, já um jovem rapaz, começa a trabalhar, como cortador de papelão na mesma fábrica em que seu pai trabalhava. Casa comD. Itália, jovem morretense filha do senhor Amadeu Dal'Igna. João já contava com uma pequena tipografia sendo ajudado por D. Itália nas tarefas tipográficas. Lança em Morretes o jornal "O Lutador", de "Paiva e Guignone", trabalha em outros ramos como comércio de jóias em Antonina, restaurante na Estação de Fernandes Pinheiros, toca três cinemas onde foi o pioneiro no litoral, um em Morretes, em Paranaguá e outro em Antonina. Fazia parte da banda de música local. Nunca abandonou o ramo da tipografia. Vai para a capital onde continua seu trabalho de tipógrafo, e ingressa na atividade que definitivamente marcaria sua vida e dos descendentes: a de "livreiro". Hoje, a família Guignone é uma das mais conhecidas e respeitadas no ramo, em todo o Paraná.
Tudo começou em Morretes.

OS DE BONA

Os irmãos Antonio e Arcângelo De Bona vieram para o Brasil seguindo o mesmo caminho usado pelos seus compatriotas, isto é desembarcando em Paranaguá com uma das levas imigratórias no final do século passado. Antonio tinha vinte anos de idade e Arcângelo era um pouco mais jovem. Eram naturais de Igne de Longarone, na Itália, chegando eles até Morretes pelo porto de Barreiros, subindo o rio Nhundiaquara até chegarão destino previamente almejado. Eram operários especializados, como outros italianos que vieram naquela época. Não se adaptando na lavoura, aproveitaram a oportunidade que lhes oferecia a construção da Estrada de Ferro Paranaguá-Curitiba que estavaase iniciar, trabalhando na construção de pontes. Terminando o serviço da construção da Estrada e já tendo os dois amealhado um bom dinheiro, fruto de suas economias, estabeleceram-se em Curitiba, na rua Voluntários da Pátria, com oficina de carpintaria. Diversificaram o ofício, quer na confecção de carruagens que, naquele tempo, era o meio de transporte mais usado, quer na confecção de moinhos para cale. milho, etc. Ambos casaram em Curitiba, tendo Antonio perdido a esposa ao dar à luz ao primeiro filho. Desgostoso com o sucedido, resolveu Antonio voltar a Morretes, montando uma oficina para fabrico de alambiques; de cobre, muito procurados pelos industriais que, na época, começavam a montar os seus próprios engenhos para a fabricação de aguardente. Como a agricultura da cana de açúcar era florescente, multiplicaram-se os engenhos no município e o negócio de; Antonio prosperou. Casou-se ele, em segundas núpcias, com Cesira Bertazzoni, também filha de imigrantes italianos, agricultores estabelecidos no Núcleo Capituva em Morretes. O casamento religioso foi realizado na Matriz de N. S. do Porto e o civil na casa do Juiz Doutor Artur Heráclio Gomes, servindo como testemunhas os senhores Pedro; Brambilla e José Scremin. O casal teve seis filhos, dentre os quais, a musa caprichosa quis aquinhoar um dos rebentos, transformando-o num grande mestre da pintura de fama internacional - Theodoro De Bona.
(Lúcio Borges-A Imigração Italiana em Morretes-pg 47 e 48)


Arcângelo casou com Elvira, também italiana, e tiveram três filhos: Marcos, Matilde e Mercedes. Mercedes casou com Antonio Cavagnolli que também era filho de imigrantes. Fizeram a vida em Morretes onde nasceu José, Elvira, Rosina e Sebastião, meu pai.


Esperança! Quanta! Chegar em terras estranhas, lutar, enfrentar, desbravar! Com certeza não foram esses os sonhos sonhados por aqueles que aqui vieram. Encontrar dificuldades cm excesso era o que não esperavam nossos antepassados. O calor, clima diferente, tudo faz crer na decepção que tiveram meus bisavós, os Bridarolli, Meduna, Malucelli, Scucatto, Valério, Trombini e tantos outros que não quiseram subira serra, pois, apesar de tudo, sentiram que aqui ainda seria o lugar ideal para criar seus filhos e firmar suas raízes. Desbravaram, lutaram e venceram o desafio de serem felizes na terra que escolheram para viver. Mesmo os que aqui passaram, sentem ainda hoje seus descendentes, que tudo começou nesta terra. A luta. a tristeza da separação dos amigos que deixaram, marcou de forma profunda como se a subida da serra não passasse de apenas uma extensão do lar que aqui tiveram.
 

17-LEGADOS DOS NOSSOS ANTEPASSADOS

HOMENS ILUSTRES

Morretes desfrutou de um alto nível cultural, que alcançou seu apogeu no século passado.
Homens ilustres, filhos desta terra, proporcionaram importantes contribuições à vida cultural do país, como:
-FREI GASPAR DA MADRE DE DEUS
Nasceu em 9/02/1715. Autos da memórias das Capitanias de São Vicente, membro da Academia de Ciências de Lisboa, Abade Provincial Beneditino.
-FREI MIGUEL ARCANJO DA ANUNCIAÇÃO
Irmão de Frei Gaspar, Abade Provincial Beneditino do Brasil. Foi historiador.
-PADRE ANTONIO RODRIGUES DE CARVALHO
Nascido em 1760, participou da conjura de 15 de julho em Paranaguá.
-CAPITÃO BENTO GONÇALVES CORDEIRO DO NASCIMENTO
Nasceu em 1775, no dia 25 de janeiro, participou da conjura separatista em Paranaguá.
-COMENDADOR MODESTO GONÇALVES CORDEIRO
Nasceu em 1793. Foi Deputado pela primeira Assembléia Provincial do Paraná: Comandante Superior da Guarda Nacional do Litoral Paranaense e chefe Primaz do Partido Saquarema (conservador).
-CORONEL COMENDADOR ANTONIO RICARDO DOS SANTOS
Nascido em 22/09/1819. Foi Deputado Provincial por diversas legislaturas. Foi Vice-Presidente da Província com exercício no cargo de Presidente.
-CORONEL COMENDADOR ANTONIO ALVES DE ARAÚJO
Nascido a 6/11/1830. Foi Deputado e Vice-Presidente da Assembléia Provincial Legislativa do Paraná em várias legislaturas. Administrou por diversas vezes essa Província na qualidade de Presidente.
-JOÃO NEGRÃO
Nascido em 19/12/1833. Foi Deputado da Assembléia Provincial Legislativa do Paraná e Secretário da Instrução Pública. 
-COMENDADOR JOSÉ RIBEIRO DE MACEDO
Nascido a 15/08/1840, foi Deputado Provincial e Vice- Presidente da Provincia do Paraná, cronista e abolicionista.
-DR. JAMES FRANCO DE SOUZA
Dezembargador, nascido a 13/06/1841. Presidente do Supremo Tribunal do Rio Grande do Sul, de 1895 em diante. Grão Mestre da Grande Oriental do Rio Grande do Sul, durante nove anos.
-DR. MARCELINO NOGUEIRA
Dezembargador e publicou diversas obras.
-CORONEL ANTONIO RIBEIRO DE MACEDO
Nascido a 15/02/1843. Jornalista, historiador, Deputado Provincial do Paraná. Comandante da Guarda Nacional, Prefeito de Antonina de 1894 a 1909. Sócio do Instituto Histórico Brasileiro do Rio de Janeiro.
-ALMIRANTE FREDERICO FERREIRA DE OLIVEIRA
Nascido a 27/11/1849, sendo neto do grande historiador Antonio Vieira dos Santos.
-JOSÉ GONÇALVES DE MORAIS
Nascido em 1849, poeta, membro da Academia Paranaense de Letras, Deputado Estadual Provincial por duas legislaturas.
-DOM JOSÉ DE SANTA ESCOLÁSTICA FARIA
Nascido em 05/09/1850, segundo Governador do Paraná, Deputado, Prefeito de Curitiba e Comandante da Guarda Nacional de Curitiba.
-SILVEIRA NETO
Nasceu em 04/01/1872, poeta, membro da Academia Amazonense de Letras e da Academia Paranaense de Letras.
-ADOLFO JANSEN VERNEK
Nascido em 1879, poeta, membro da Academia Paranaense de Letras.
-CONSELHEIRO DR. MANOEL ALVES ARAÚJO
Nascido em 19/03/1836, foi advogado, jornalista, deputado e Presidente da Assembléia Legislativa do Paraná. Deputado por diversas legislaturas, Secretário e Presidente da Câmara Federal. Foi Ministro e Secretário de Estado (Agricultura, Comércio, e Obras Públicas) em 1881. Presidente da Província de Pernambuco em 1865.
-COMENDADOR BRIGADEIRO HIPÓLITO ALVES DE ARAÚJO
Deputado da Assembléia Provincial do Paraná e exerceu outros cargos de eleições e nomeações.
-FRANCISCO NEGRÃO DE PAULA DIAS
Nascido em 1871, membro da Academia Paranaense de Letras, historiador, famoso genealogista, autor da Genealogia Paranaense (06 volumes). Membro do Instituto Histórico Geográfico Paranaense.
-RICARDO DE LEMOS
Nascido em 1871, membro da Academia Paranaense de Letras, jornalista, colaborou nas revistas: O Cenáculo, Clube Coritibano, A Pena, O Sapo, Azul, Breviário, Strelário, e outras. Publicou Ventarolas, em 1898, faleceu em 1932.
-JOÃO TURIN
Nasceu em 1880, escultor, estudou na Europa onde fez o curso de belas artes na Real Academia de Bruxelas, estudava em Paris e convive com outros artistas paranaenses. Percorre a Europa onde participa do movimento Paranista. Suas obras estão espalhadas por diversos museus, parques e jardins da Europa e do Brasil. Faleceu em 1949.
-THEODORO DE BONA
Nasceu em 1904, estudou em Veneza de 1927 a 1936, participou de diversas exposições na Europa como: Bienal de Veneza em 1932 e 1935; Salão dos Artistas Venezianos em 1932. Em Roma, participou da exposição Latino-Americana em 1932. São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Curitiba, foram as cidades onde mais apresentou suas obras. Ostentam na galeria de Arte Moderna de Veneza e na coleção do Rei Victor Emanuel suas pinturas. No Museu Nacional de Belas Artes (Brasil), as obras: Paraíso Perdido e Outono no Paraná. Autos da tela medindo 8m x 3,5 - Instalação da Província do Paraná a qual se encontra no Palácio do Iguaçu em Curitiba.
-FREDERICO AUGUSTO LANGE
Conhecido como Langue de Morretes, foi pintor de extrema sensibilidade.
-ALBERTO CARDOSO
Nasceu em 1913, poeta de grande sensibilidade, publicou em 1986 Poenau e Poeferia em 1991 entre outras. Foi Presidente da Casa o Poeta de São Paulo e da Casa do Poeta de Curitiba. Membro honorário da Academia Paranaense de Letras faleceu em 1992.
-SINIBALDO TROMBINI
Nascido em 1908, escreveu crônicas, contos, poesias, romances e novelas. Entre tantos "Simples Mensagem"- "Velha Mansão"- "Simone"-"0 Menino da Favela"- "Guiseppe" - "Tila"- "Só Pelo Amor Vale a Vida"- "A Tragédia do Cajuru"- "Indianara"- Assim eu digo, pois muito eu penso - "O andarilho".
Foi escultor, compositor e empresário de destaque no cenário nacional.
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SAUDADES DE MORRETES
Por entre os picos da Serra do Mar
o trem de ferro desce e, a se esguiar,
range, balança, apita, freia e para.
Silêncio... o passageiro descortina,
risonho, uma cidade pequenina
às margens onde corre o Nhundiaquara
Morretes. De uma infância o lindo berço
Uma santa, nas mãos trazendo um terço
Um dia concedeu-me a claridade.
Terras de matas de sutil beleza
Que ama seus filhos com real nobreza
onde deixei, faz tempo, a mocidade
Adeus ó terra ó gente mui queridas,
foram as minhas palavras mais sentidas
quando parti sozinha e comovida!
Agora, a recordar, como desejo
rever a terra do primeiro beijo
o saudoso beijá-la arrependida
Que saudade do belo Marumbí,
do vibrante trinar do bem-te-vis,
dos colibris nos matagais em flor
saudades do cantar do gaturamo
que conta na sublime terra que amo,
fazendo coro aos cânticos do amor!
Saudades dos meus sonhos inocentes
que em ti sonhei nos dias sorridentes,
junto aos anjos no berço da esperança.
Deus me permita regressar sorrindo
para poder, talvez em ti dormindo,
ressonhar os meus sonhos de criança!
ALBERTO CARDOSO
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VERMELHA
Domingo. Amanheceu em dia sem
Réstias de sol (o sol bebido em hausto,
E um cordial maravilhoso, tem
Feito pródigos remoçando faustos).
O céu não ri, o céu é triste, e bem
Igual a mim, a mim que tenho infaustos
Sonhos...presságios maus cousas que vêm
À mente dos enfermos quase exaustos.
Melancólico dia de domingo!
Nem risadas, nem cantos, nem um pingo
De alegria sequer...Soturno assim
Eu sou e quem me não conhece, exato,
Olhando um dia tal, vê-me o retrato
Assim, como se olhasse para mim.
ADOLFO WERNEK
(poeta simbolista)

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A MEMÓRIA DE MEU IRMÃO
Pobre boêmio que quase não dormias!
Duros transes, os teus...Nem os menciono
Eras um triste, mesmo em áureos dias...
Como tu precisavas deste sono!
RICARDO DE LEMOS
(poeta simbolista)

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O simbolismo foi um movimento poético que existiu entre 1890 e 1920, Originou-se através dos poetas franceses como Baudelaire, Malarmé, Rimbaud. No Brasil o simbolismo acontece no Paraná, Bahia, Ceará, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Foi nada menos que um movimento intelectual de resistência ao Parnasianismo, que vigorava na Corte. Os Poetas Morretenses de 1890 a maior parte eram simbolistas.

JOSÉ GELBECKE

Poeta morretense, fez este poema em homenagem ao padre Saviniano Gonçalves Ferreira, que permaneceu 40 anos como pároco na Igreja Matriz de Morretes.
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PRECES
Voga a canoa na noite clara
A flor das águas do Nhundiaquara,
Marca-lhe o rumo pelos barrancos
As paralelas dos lírios brancos.
Olhos devotos do canoeiro
Fitam ao longe naquele outeiro,
Bem alto, a igreja, que lhe aparece,
Descança o remo, ouve-se a prece.
Nossa Senhora do Porto.
Santa de amor e conforto.
Sois de Morretes a luz
Bendita Mãe de Jesus.
Livrai-nos da grande enchente,
Que tudo rouba da gente,
Que arranca o teto que cobre
O rancho humilde do pobre.
Nossa Senhora do Porto
De Esperança e de Conforto.
Depois se alonga a canoa,
Mas a prece ainda ressoa
Na voz das meigas velhinhas
Que moram nas ribeirinhas.
Nossa Senhora querida
Sois o fanal desta vida,
Amparai nosso destino,
Pelo amor do Deus-Menino.
Que o rio não vá transbordar,
Que as águas corram pr'a o mar,
Que floresça a laranjeira,
Onde sois a padroeira,
Que não nos falte conforto.
Nossa Senhora do Porto.
Ouvindo preces e mágoas,
O rio a fúria contém
E no coral de suas águas
Fica rezando também...


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Nenhum dos grandes homens, frutos desta terra, se salientou tanto, quer na política, quer na literatura ou nas artes plásticas, como o grande historiador José Francisco da Rocha Pombo, que com sua peculiar humildade, galgou os degraus da literatura, chegando ao seu ápice com a monumental obra que é a história da nossa Pátria, efetivando-o como o maior historiador do Brasil.
Rocha Pombo, nasceu em um dos subúrbios mais pitorescos de Morretes, o Anhaia, no dia 4 de dezembro de 1857. Teve uma infância tranquila como qualquer criança de sua idade ora preocupado com os folguedos infantis, ora com seus trabalhos escolares, já então entre excelentes professores onde recebe os conhecimentos que lhe permitiram assumir, aos 18 anos, a regência de uma classe de ensino primário na terra em que nascera. Posteriormente, o exercício do magistério que sempre soube conduzir com compreensão e seriedade, levou-o à habilitante carreira das letras. No jornalismo, acertou sua vida literária. Com o declínio do papel que Morretes desempenhara durante largo tempo como principal centro comercial do Estado, após ter fundado o jornal "O Povo", com o qual pretendia fazer a propaganda republicana, em 1879. Em 1880, se transfere para serra acima, lançando na cidade de Castro o jornal Ecos dos Campos. Implantou, paralelamente, para sustentar-se, um colégioeobjetivandotambém, ensinar a geração de seu tempo. Levado pelas dificuldades em que passava, se transfere para Ponta Grossa, onde escreve e publica ensaios literários e novelas, revelando-se como escritor mas sem a repercussão merecida. Ingressa na política, se elegendo à Assembléia Provincial (1886-1887) como Deputado pelo Partido Liberal. Tenta outros jornais: Diário Popular, O Paraná, dirige em 1892 O Diário do Comércio, do qual se torna proprietário. Desilude-se com os acontecimentos após derrota em pleito eleitoral, transferindo-se para o Rio de Janeiro em 1897, se dedicando à história, trabalhando na imprensa e magistério. Escreve a História das Américas e com a recompensa recebida pela sua publicação, inicia a publicação daquele que lhe valeu a cadeira na Academia Brasileira de Letras: a História do Brasifobra em 10 volumes, orgulho para a terra que o tem como filho. Essa obra foi escrita de 1906 a 1917. Com justiça foi considerada a mais completa e cuidadosa obra escrita no gênero. Além das já mencionadas, outras obras importantes se destacaram: "O Paranáno Centenário", "O Hospício, Para a História" (publicada pela Fundação Cultural de Curitiba, sobre a Revolução Federalista), "Nossa Pátria", "História de São Paulo, Rio Grande do Norte e do Paraná", Dicionário de Sinônimos" e outros. O seu veio poético só veio a tona quando em 1891 foi publicado no livro "Visões", seus poemas. Escreveu ainda: "A Honra do Barão", "Dadá ou a Boa Filha", "A Supremacia Ideal" e a "Religião do Belo", Fundador da cadeira n° 1 da Academia Paranaense de Letras, cujo patrono é Antonio Vieira dos Santos, hoje ocupada pelo jornalista e escritor Valfrido Pilotto. Admirador incansável de sua terra, querendo vê-la engrandecida pelo saber, sonhou com a criação de uma Universidade em Curitiba, lançando a pedra fundamental do futuro edifício na Praça Ouvidor Pardinho, em 1852. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1852. Seus restos mortais transladados para sua terra natal em 1957, onde menina estive presente em compania do meu pai.

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HINO MORRETENSE
LETRA: SILVEIRA NETO

Com a imponência dos morros altivos,
Que o embate dos anos não vence,
Eia, alerta! troféus redivivos!
Eia, glórias do Lar Morretense!
 
Coro:
Aureolai, corações á porfia.
Nossa terra de paz e de amor.
Que a alvorada da Glória e Alegria
Feche a noive das horas de dor.

Soberana já foi nossa terra,
Desde Anhaia à gentil Nova Itália!
Que a palmilhe, dos campos à serra,
Da fortuna a doirada sandália!
 
Coro:
Aureolai, corações á porfia.
Nossa terra de paz e de amor.
Que a alvorada da Glória e Alegria
Feche a noite das horas de dor.

Foi um belo torrão brasileiro,
Será forte, mau grado mil fráguas;
Di-lo o audaz Marumby sobraceiro,
Nhundiaquara o proclama nas águas!
 
Coro:
Aureolai, corações á porfia.
Nossa terra de paz e de amor.
Que a alvorada da Glória e Alegria
Feche a noite das horas de dor.
 
E o dirá nosso amor, em cadência
Dos valados aos montes soberbos,
Como um eco da antiga opulência
Florescendo nos dias acerbos!
 
Coro:
Aureolai, corações á porfia.
Nossa terra de paz e de amor.
Que a alvorada da Glória e Alegria
Feche a noite das horas de dor.
 
E o proclame o rumor do trabalho
Semeador das searas eternas
Como um cântico sacro de orvalho.
Despertando estas plagas maternas!

Coro:
Aureolai, corações á porfia.
Nossa terra de paz e de amor.
Que a alvorada da Glória e Alegria
Feche a noite das horas de dor.
 
E a Morretes, ao ver novos trilhos,
Sagrado, da vitória ao acesso,
O Laurel de um abraço dos filhos.
E o hinário febril do progresso!

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18-FOLCLORE EM MORRETES

Havia de ser bem valioso, todo espírito, anônimo da raça que conseguisse coligir em nossa terra. Antes de tudo, revelaria, nas tradicionais lendas que subsistem toda excelência e a singularidade do antigo gênio o qual aqui se encontrou, com esta maravilhosa natureza, e este céu sulista. Hoje não conta mais como outrora. Parece qua a musa popular deixou de sentir no meio dos ruídos modernos as grandezas da terra. As próprias lestas profanas pelas quais terminavam invarialvelmentc as lestas religiosas, foram sendo esquecidas. O ruidoso Fandango limitou-se apenas às apresentações folclóricas. Tudo está contrafeito de máscaras urbanas, sem a singeleza e a graça que tinha. Nos velhos tempos, o poeta das folias da noite, seria cantador dos batuques. Em meio a convulções das festanças, muitas vezes eram suspensos os bailados e os alaridos, fezendo-se grande silêncio em volta de dois violeiros famosos, onde começavam a porfia, como os trovadores ou menestréis da idade média. Cantavam horas e horas, improvisando um para o outro; e quando ambos se reconheciam fortes e invencíveis, apertavam-se as mãos sob aplausos dos espectadores. Em todos os bairros vibravam cantadores de nome, conhecidos na antiga província, e até mesmo em todo o sul. O povo decorava os versos dos mais famosos, que ainda hoje são lembrados. Ainda assim é muito pouco o que se pode colher ou provar além da iniciativa do espírito anônimo e o amor com que se sentia o passado. Até bem pouco tempo, se encontravam vestígios de tradições que foram se perdendo; das longas viagens marítimas. Naufrágios, reminescências dos grandes dias da raça. Os versos de uma canção ligada a essa época "A NAU CATARINETA" eram conhecidos e popularescos até nos lares mais humildes. Sentia-se como tinham vivido da saudade dos seus tempos horóicos. As lambranças ficaram por muito tempo vivas no coração dos que aqui permaneciam.
FANDANGO - Esta dança é batida com os pés calçados com tamancos de cedro ou laranjeira. O Fandango era dançado nos sítios, por ocasião do Pixirão, quando os vizinhos auxiliavam o dono da casa nos trabalhos de roçada ou plantação. O Fandango de Finta (arcaísmo, que quer dizer coleta) é feito em qualquer ocasião, bastando que todos colaborem na compra dos preparos. Seus dançarinos chamam-se folgadores e galgadeiras, porque dançam na folga de sábado para domingo. O acompanhamento musical é feito por suas violas, um adufo e uma rebeca, confeccionadas pelo próprio caboclo. Os cantos são tirados por dois violeiros que podem ser tradicionais ou improvisados. As danças se dividem em dois grupos: as batidas c as valsas bailadas. Entre as danças ou marcas do fandango, como são conhecidas, encontramos o: Anu, Chico, Lageana, Serrana, Sabiá e muitos outros.

DANÇAS DAS BALAÍNHÃS: Dança muito graciosa, bonita e de singular efeito, cuja principal característica é o emprego de arcos, com o diâmetro de um pouco mais de um metro, feitos de cipó flexível (ururupeva) e ornadas com flores de papel de seda em eores. Estes arcos são usados nas evoluções quando são formados os balaios com figuras resultantes dos arcos sobrepostos.

DANÇA DO " PAU DE FITA" - Consiste na utilização do "PAU DE FITA" medindo aproximadamente três metros de comprimento. Da extremidade superior saem vinte e quatro fitas ou cordões que, esticados são segurados na outra extremidade pelos dançarinos, de forma que armado o "PAU DE FITA" da a impressão de um grande chapéu de sol aberto. Quando dançado, suas evoluções apresentam os mais lindos traçados.


FOLIAS DO DIVINO - A famosa festa do Divino Espírito Santo, no passado era denominada, Folias do Divino, segundo seu costume, com um mês de antecedência, um grupo composto por mais ou menos quarenta homens, saiam pelas ruas da cidade e pelos sítios, a fim de tirar esmolas que se destinavam aos custeios da festa. Este grupo era bastante interessante: compunha-se do Alferes (chefe), do tocador de rabeca, dos tocadores de caixa e de tambor. Os demais acompanhantes eram denominados foliões: nessas visitas tinham um hino especial para a chegada e outro para a saída. Dentro das casas faziam orações abençoando as  famílias e enquanto não lhe dessem a esmola pedida ( que podia ser dinheiro, aves, animais, e t c . ) não paravam de rezar e não saíam, ameaçando as famílias com os castigos que poderiam sobrevir caso não fosse oferecido uma prenda ao Divino. As casas mais abastadas davam pousada e ali, alimentos aos foliões, além das oferendas. São os velhos trovadores que conservam vivas ainda hoje, as ricas lendas e tradições desta cidade, relicário histórico e cultural do litoral paranaense.

19-PRATO TÍPICO

BARREADO - Consiste em um cozido de carne com bastante tempero, cuja panela é vedada e permanece 24 horas no fogo lento, quando então é aberta. A sua penetração no litoral deu-se por Porto de Cima e São João da Graciosa, município de Morretes, no ciclo da Erva Mate, trazido pelos tropeiros da Lapa e outras regiões do planalto, por se tratar de uma alimentação que permanecia sem se deteriorar durante o longo percurso na demanda do planalto ao litoral, que durava até 15 dias.

20-A ESTRADA DE FERRO

Foi em 1871 assinado o decreto Imperial concedendo a Antonio Pereira Rebouças, Francisco Antonio Monteiro Tourinho e Maurício Sharwz a construção de uma estrada de ferro que partia de Antonina, passando por Morretes a fim de subir a Curitiba. Esta foi a primeira concessão, com o decreto n° 4674 datado de Io de janeiro. Rebouças fez um traçado que passaria por Barreiros e Morretes com ramal até São João da Graciosa. Em 1872 o Imperador também fez concessão à outros engenheiros para a construção da estrada de ferro Paranaguá a Morretes. Em 1874 os direitos dos concessionários vão para o Barão de Mauá. Os Parananguaras levavam vantagens em virtude do grande movimento do Porto de Paranaguá, o qual foi dado como ponto inicial de partida para a grande obra. Mas, já em 1873, dado por inaugurado os trabalhos da estrada de ferro Paranaguá a Morretes. O porto de Paranaguá é transformado num vasto canteiro de obras. Os trabalhadores chegam de todos os lugares. Os trilhos, máquinas e ferramentas e homens vinham em imensos navios.A locomotiva é montada e leva o apelido carinhoso de Maria Fumaça. Abastecida com água e lenha, ela começa a caminhar lentamente pelos trilhos de Paranaguá até Morretes. Serve de atração para os Curitibanos, que viajam até Paranaguá para vê-la. As crianças corriam atraz da Maria Fumaça pelos trilhos como se quisessem desaliá-la. Os trabalhos de construção continuam acelerados. O Imperador é convidado para a inauguração. Todos duvidam da sua presença. A visita do Imperador, Imperatriz e demais autoridades estava prevista para o dia 10 de maio. Os moradores da Província estão eufóricos. Cozinheiros vindos do Rio de Janeiro se esmeram no banquete que homenageará o Imperador.  Dia 19 de maio, e realmente um grande acontecimento. O povo se comprime na Rua da Praia, onde os soberanos devem desembarcar. Às 13:30 horas, o farol da Ilha da Cotinga anuncia a entrada na barra do navio Rio Grande, onde estavam o Imperador, a Imperatriz e a comitiva. Às 18:00 horas,chega D. Pedro II no cais da cidade, e caminha pela ladeira da Igreja da Ordem. O povo se agita. Todos querem ver de perto o Imperador com suas barbas brancas e sua calma peculiar. À noite, banquete no Palácio dos Barões de Nácar. Quando a programação para a inauguração da Estrada de Ferro é apresentada ao Imperador, este se ofende por não ter sido consultado, desmarca o programa e traça novos itinerários para sua visita. A inauguração fica para 5 de junho. No dia seguinte, D. Pedro e sua comitiva seguem para Antonina e Morrctes. As obras continuam aceleradas, os trilhos rumam em direção à Serra do Mar. Rasgam-se as matas; os problemas se avolumam. Febre amarela, febre tifóide, tudo acontece, mas nada demove e atraza o andamento da gigantesca obra. O dia oficial da inauguração da estrada de ferro chega; 5 de junho; o Imperador termina a romaria pela Província e está novamente a caminho de Paranaguá, vindo de Antonina. Dirigem-se para o local da futura estação ferroviária. O vigário procede a benção e junto à pedra fundamental que chega em padiola juntamente com um cofre no qual são depositados jornais, moedas e uma cópia da ata que demorou para ser assinada por falta de caneta. Foi colocada também uma colher de prata. Estava inaugurada a Estrada de Ferro. Sinos tocam festivos. Algumas horas mais tarde, a bordo do vapor Rio Grande, o Imperador e sua com i ti va desaparece das vistas parnanguaras para sempre. O trabalho da construção da estrada continua sempre em ritmo acelerado. Os trilhos avançam cada vez mais e com maiores sacrifícios. As escarpas da Serra do Mar pareciam grandes desafios. Os trabalhadores caíam nas grotas, no acampamento próximo a Morretes irrompia uma epidemia de tifo. O quilômetro 45 era o grande marco decisivo da grande obra. Os 110 quilômetros de ferrovia seriam permeados de grandes dificuldades. A mão, artesanalmente, 13 túneis seriam abertos no coração das montanhas íngremes: cerca de 30 pontes e vários viadutos de grandes vãos. As obras mais importantes, na opinião dos técnicos, seriam a ponte São João, com 55 metros de altura sobre o fundo de uma grota e um viaduto que seria ligado ao túnel rochedo e sustentado sobre cinco pilares de concreto na encosta da própria rocha. O ponto mais elevado da estrada se encontra a entrada do túnel Roça Nova, onde ela atingirá 955 metros acima do nível do mar. Dia 5 de outubro de 1881. Inauguração do primeiro trajeto de Paranaguá a Morretes, não ainda oficial. Um trenzinho modesto com um vagão de passageiros e dois vagões de carga. Os quarenta quilômetros que separam Paranaguá de Morretes nunca foram percorridos com tanta velocidade. Essa distância seria percorrida em menos de meia hora, não fosse a parada em Alexandra e Saquarema. 1882 - O Comendador Ferrucci, não sente coragem para continuar a obra e transfere as responsabilidades para o jovem mineiro Dr. Teixeira Soares. No mês de abril novos engenheiros assumem a direção dos trabalhos de construção do arrojado projeto, cruzando o profundo desfiladeiro que separa o Morro do Marumbi e o Morro do Itupava; e os trabalhos não param. 
Dia 17 de novembro:
É a inauguração oficial da estrada Paranaguá a Morretes. Uma composição especial parte de Paranaguá às 9:00 horas e chega a Morretes por volta das 11:00 horas. Alegres manifestações ocorrem na inauguração oficial do primeiro trecho (Paranaguá - Morretes). Em Morretes foi oferecido um barreado à comitiva. Assim 1883 em data de 17 de novembro foi um marco na história dos transportes na Província do Paraná. Muito ainda estava por fazer. O Dr. Teixeira Soares aumentou o contingente de trabalhadores. Seriam agora nove mil homens. Nunca se soube de um trabalho tão gigantesco em todo o Império. O ano de 1884 trouxe a vitória da ferrovia sobre a Serra do Mar. Quando junho chegou, naquele dia 26 grande agitação fervilha nos pequenos povoados; São Luís, Piedade (Morro Inglês) e Torrai; Saquarema, Morretes (Anhaia, Rio Sagrado, Nova Itália, América e de Cima e América de Baixo); a vila de Porto de Cima e Antonina. Às 10:30 horas partia de Morretes, rumo à Ponte São João, um trem especial composto com convidados do engenheiro Teixeira Soares. Era uma viagem de aventuras. Ao chegar à ponte, um silêncio profundo se faz sentir. Somente a Maria Fumaça ousava roncar desafiadoramente. O precipício, dava arrepios. A composição cruzava a ponte e o engenheiro Teixeira Soares acena para os trabalhadores postados às margens da ferrovia. A serra do mar estava conquistada, a obra mais monumental da ferrovia inaugurada. Dia 2 de fevereiro de 1885; às 10:00 horas partia de Paranaguá, rumo a Curitiba, o trem inaugural da ferrovia, conduzindo ilustre comitiva: Ministro da Bélgica, França e Rússia. Na estação do Cadeado, lauto almoço é servido aos convidados; o cardápio é internacional. Às 19:00 horas, quando o trem chega a Curitiba, uma multidão havia se formado. A Câmara Municipal de Curitiba, promove uma manifestação contra a ferrovia temerosos pelo desemprego de mais de cem carroceiros os quais transportavam o mate pela estrada da Graciosa. Uma nova categoria de homens com rígida disciplina surge Os Ferroviários - Assim fica oficialmente inaugurada a ferrovia que une Paranaguá à Curitiba: O Porto de D. Pedro II à Capital da Província. É uma nova era. 1885.




21-EDUCAÇÃO

O senhor Manoel Miró de Freitas, indo ao Rio de Janeiro em 1847, trouxe em sua companhia, o professor de música Angelo Martins Ferreira, para ensinar piano e canto às suas filhas. Este, porém, abriu curso de música, compreendendo piano, canto, solfejo para jovens morretenses e as do Porto de Cima e o de flauta, violino e canto, para os rapazes. Foram matriculadas: Guilhermina Guimarães, Emília e Júlia, filhas do abastado Tenente Coronel Ricardo José da Costa Guimarães; Ana Marques e Izabel, filhas do comerciante e industrial do Porto de Cima, Manoel Gonçalves Marques; as filhas do Comendador Hipólito José Alves. Hipólita Alves de Araújo e Domicila Alves, futura esposa do Conselheiro Jesuino Marcondes; as filhas de D. Maria Rosa de Lima, Joaquina Maria Rosa, depois casada com importante industrial do Porto de Cima, o senhor Antonio de Loiola e Silva, esta cursou piano e canto qua executava com desembaraço e perfeição; Maria Luiza de Araújo, Maria dos Anjos Cordeiro, Belisa Gonçalves de Moraes, filha do senhor Américo de Freitas; Maria Antónia dos Santos, Cândida Gomes, Maria Gonçalves de Lima, Maria Narcisa Santos Loiola, mais tarde, esposa de Industrial Vicente Ferreira de Loiola; Joaquina Cruz, mais tarde casada com Tenente Coronel Francisco Gonçalves Cordeiro Gomes; Ana Nóbrega, Alexandrina Pereira da Costa e muitas outras. Quanto aos rapazes, seria mencionar quase toda a população masculina da época. Vieira dos Santos, conta que em 1805, estudava música e que se dedicava com especialidade ao estudo de Sautério e Psautério. O pintor francês Noel Guillet, ensinou em Morretes a pintura e desenho; era retratista a óleo e para ela pousaram as pessoas de alta importância política e social, cujos retratos executou com perfeição; entre outros fez o retrato do Comendador Modesto Gonçalves Cordeiro, o mais prestigioso político de toda zona litorânea da época e que entrou em lista tríplice para o lugar de Senador, em 1854; do Comendador Antonio Alves de Araújo, industrial da erva mate e chefe do partido Conservador de Morretes, que como primeiro Vice-Presidente, assumiu as rédeas do Governo da Província: o Benemérito Historiador Antonio Vieira dos Santos, autor das Memórias Históricas de Paranaguá, Morretes, Antonina e Porto de Cima, cujo retrato se encontra na Pinacoteca Pública do Paraná. Noel Guillet e sua esposa, mantiveram bom colégio em Morretes, onde ministraram os cursos de francês, português, artimética, geografia, históriae outras disciplinas. Ensinavam o uso da prática da moral, do bem e da virtude, formando o caráter de seus alunos. Houveram outros magníficos colégios e escolas particulares onde os alunos morretenses e os de Porto de Cima receberam sólida instrução e educação. Em 1821, abriam-se em Morretes duas aulas particulares, para o ensino das primeiras letras, sendo uma de Francisco Rodrigues Bacelar com 20 alunos, e outra de Felipe José da Silva com mais de 40 alunos. Em março de 1821, no dia 22, o professor Francisco da Silva Neves, abriu a primeira escola pública somente para meninos. Até esta data o magistério era exercido somente por homens. A carta de lei provincial paulista n° 17 de 22 de fevereiro de 1844, cria uma cadeira de primeiras letras para o sexo feminino em Morretes, referendada pelo Presidente Manoel Felizardo de Souza Melo. "Artigo 1 ° - Fica criada na Vila de Morretes uma cadeira de primeiras letras para o sexo feminino." Segundo ofício enviado ao Presidente da Província de São Paulo pela Câmara de Morretes no dia 17/10/1844 propondo que D. Geraldina Amélia de Souza, casada com Manoel da Cunha Viana, para ocupar interinamente a cadeira para o ensino de meninas, ela ou outra pessoa que preenchecem os requisitos necessários. Surge então a primeira professora em Morretes.

22-RELATÓRIO DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO PARANÁ - 06/04/1869

Em 31 de outubro de 1 869, em Morretes, 41 meninos e 59 meninas matriculados.
Em Porto de Cima, em 13 de agosto de 1869, 25 meninos, em 03 de julho de 1866, 32 meninas.
Em 31 de outubro de 1868, foi nomeado José Gonçalves de Morais como professor em Morretes.
No quadro das escolas de instrução primária que fizeram exames finais no ano de 1868. encontramos:
Morretes - D. Maria Josefina Mangen com 5 meninas aprovadas.
Porto de Cima - Manuel da Cunha Viana com 2 meninos aprovados.
Foi sub-inspetor de ensino cm Morretes Manoel do Nascimento Abreu até 30/12/1 868, desta data em diante, foi Caetano Alves de Paula.
Porto de Cima - Ion 1868, pediu demissão o sub-inspetor Manuel Gonçalves Marques, sendo nomeado na mesma data, Antonio Ribeiro Macedo.
Em 1872 a situação é desesperadora, pois com a demissão de vários professores, em virtude dos baixíssimo salário que recebiam. Morretes fica sem professores públicos.

A Câmara de Morretes para solucionar a presente situação, enviam no dia 13 de janeiro de 1873, o seguinte apelo:
"E grande o sentimento que sente esta Câmara ao tratar de tão momentoso assumpto. O insignificante ordenado pago aos professores públicos, em qualquer classe (ao pé da letra) que sejâo considerados, além de não compensar-lhe o trabalho árduo que pesa sobre seus hombros faz-os abandonar o Professorado, afasta a cadeira de Mestre, os mais habituados, afugenta os que mais aptidão apresentão para o magistério e, finalmente tornar a instrução difficil, muito especialmente nesta cidade, onde a vida custa e onde qualquer jornaleiro recebe um salário muito superior ao que hoje se dá a um professor público. A única Cadeira que ali há acha-se há muito tempo e se não fosse o Collégio Particular dirigido pelo senhor Serapião do Nascimento podia se dizer que o ensino entre nós é nullo com relação aos muitos meninos que há nesta cidade. Este Collégio é frequentado por 40 alunos entre so quais 10 gratuitamente."
Graças a este apelo da Câmara, no dia 9 de novembro de 1874 surge a lei do Ensino Obrigatório em Morretes, até um quilômetro em redor da cidade. Em 17 de setembro de 1879, a Câmara nomeia o professor Sr. Cassiano H. da Silveira, "aferidor" dos pesos e medidas "a quem, há qualidade de professor público, a lei confere, de conferência essas atribuições". Desta data em diante, o ensino não mais parou de evoluir, sendo em 22 de abril de 1882, criada pela Câmara uma aula noturna para "adulto do sexo masculino", sendo professor o Sr. Lindolfo Siqueira Bastos, pela gratificação anual de 400.000. A aula começou no dia 1° de maio do mesmo ano, com 35 alunos, durante apenas dois anos, pois em 21 de março de 1884. o professor Lindolfo abandona o cargo. Era inspetor de Ensino Paroquial nessa época o Sr. José Gonçalves de Morais.
Em 2/3/1883, a Câmara pede ao Presidente da Província pr. Carlos de Carvalho, duas escolas para a Colônia Nossa Senhora do Porto e uma para o bairro da Ponte Alta. Foi então que veio para Morretes o professor Miguel José Loureiro Schleder. natural de Curitiba, viúvo da professora Eulália Marques Schleder. iniciandosuacarreira no magistério público nesta cidade, onde mais tarde foi removido para Curitiba.
Em 1888 o professor Schleder conquistou, mediante concurso, a cadeira de Geografia Retórica e Poética do Instituto Paranaense c da Escola Normal da Capital Paranaense. Faleceu na cidade da Lapa em 18 de janeiro de 1892. Em 19 de maio de I 886. foi doada pela Câmara, uma subvenção para a escola regida pelo professor "Manoel Francisco Pombo" pai do Cirande "Rocha Pombo" que lecionava desde 1872. em frente a Igreja Matriz nesta cidade. Em 1884 havia em Morretes as seguintes Escolas Estaduais:
Uma no bairro de Barreiros dirigida pela professora D. Maria das Dores Rocha Pombo (irmã de Rocha Pombo).
Uma na Ponte Alta, dirigida pela professora D. Ana Pereira de Oliveira.
Uma no Anhaia dirigida por D. Maria Angela de Freitas (1890) com 48 alunos.
Uma em Saquarema dirigida pela professora D. Maria Ferreira de Freitas Trancoso.
Uma na América de Baixo dirigidas pelas professoras Maria Cândida Cordeiro e Maria Rangel.
O Inspetor nessa época era Arsênio Cordeiro e depois Caio Machado.
As primeiras normalistas que aqui vieram foram Luiza Rodrigues, depois Loiola Pinto, e os professores Raul Gomes, João Conceição, Antonio Polidoro, Leopoldino J. Abreu, Albino José da Silva, F. H. Mangin da Cunha.
Em 1915, fio criado o primeiro Grupo Escolar que se denominou José Bonifácio. Mais tarde, em homenagem a um dos mais ilustres professores de Morretes, mudaram-lhe o nome para Grupo Escolar Miguel Schleder.
Em 1948, foi construído um novo prédio para o Grupo Escolar. Eis a ata de inauguração deste prédio:
"Aos trinta e um dias do mes de outubro de mil novecentos e quarenta e oito, nesta cidade de Morretes, às dez horas da manhã, presentes o Exmo Sr. Moisés Lupion, Governador do Estado do Paraná, Dr. José Loureiro Fernandes, Secretário de Educação e Cultura e altas autoridades, teve lugar a inauguração do novo Estabelecimento de Ensino, Grupo Escolar Miguel Schleder.
Em seguida fez uso da palavra em nome do corpo docente do referido grupo, a senhorita Iracema Bittencourt, que em breves palavras salientou os relevantes serviços do atual Governador do Estado. Prosseguindo pronunciaram brilhantes discursos os senhores: Dr. José Loureiro Fernandes, e Dr. Taborda Ribas. Em seguida, representando a criança Morretense fez uma saudação ao Exmo Governador do Estado, a menina Terezinha Malucelli, finalizando com o hasteamento da Bandeira ao som do Hino Nacional.

23-LOCALIZAÇÃO E LIMITES DO MUNICÍPIO

Morretes está situada na zona fisiográfica do litoral Paranaense, estendendo-se da costa da Serra do Mar para leste e limitando-se ao oeste com os municípios de São José dos Pinhais, Piraquara e Quatro Barras; ao norte com o município de Campina Grande do Sul; ao nordeste com Antonina e a Baia de Paranaguá; ao leste com Paranaguá e ao sul e suldeste com o município de Guaratuba. A fronteira oriental de Morretes fica a cerca de 35 quilômetros do mar. Todas as divisas municipais são formadas por acidentes geográficos: ao norte e oeste pelos espigões das serras dos Órgãos, da Graciosa, do Marumbí e da Farinha Seca, das Canavieiras e da Prata. No sudeste é o rio Arraial numa altitude de cerca de 800 metros que forma o limite do Município e com Antonina e Paranaguá são os rios Sapitanduva e Jacarey os acidentes limítrofes.

EXTENSÃO TERRITORIAL

Morretes abrange uma área de 722 quilômetros quadrados de terras, incluindo serras, colinas e planícies.

TOPOGRAFIA

As cordilheiras limítrofes eleva-se repentinamente de poucos metros acima do nível do mar para mais de 1000 metros de altura, encontrando seu ponto mais alto, no município da serra do Marumbí com aproximadamente 1556 metros de altitude.

CLIMA

De acordo com a formação do Município podem ser especificadas em duas faixas climáticas que se distinguem principalmente pelo volume das chuvas e a insolação. A primeira faixa "Faixa da Encosta"estende-se ao longo da Serra do Mar. do norte ao sul. numa largura de cerca de 6 a 8 quilômetros, cobrindo as encostas. Nessa faixa o clima é dos mais chuvosos do Brasil. A segunda faixa a "faixa da Baixada" cobre o resto do Município. O encotro dos ventos marinhos do sul e do leste com as massas do ar continental causam muitos nevoeiros e tempo nublado, de forma que são relativamente raros os dias claros de sol e a insolação em geral é pouca. Morretes tendo de um lado um clima úmido e quente, sofre por outro lado, da influência dos ventos do sul e sudeste. Consequentemente, são fortes as oscilações de temperatura.

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Deus não permitiu ser Morretes uma grande metrópole. Abrigando em seu solo a grande parte da Mata Atlântica, ainda existente no país, não poderíamos, assim, ostentar orgulhosamente o troféu de sermos filhos preservadores do grande pulmão verde desta terra. "A medida que a vida flui, nos tornamos estranhos a nós mesmos, até desfigurando-se nossa identidade, nos perdendo irremediavelmente no tempo." (Proust)
É necessário que se leia a História.
As ruínas foram-se transformando em pontos verdes cobertos pelo tempo.



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 BIBLIOGRAFIA

MEMÓRIA HISTÓRICA
CRONOLÓGICA E TOPOGRÁFICA DA VILLA DE MORRETES E DO PORTO REAL, vulgarmente Porto de Cima.
Por Antonio Vieira dos Santos.
MEMÓRIA HISTÓRICA DA CIDADE DE PARANAGUÁ E SEU MUNICÍPIO.
Por Antonio Veira dos Santos.
ANAIS DE ROTARY CLUB DE CURITIBA.
N° 2827 do Distrito 72 - Discurso pronunciado pelo Historiador Francisco Negrão em sessão de 5/12/1935.
AS SESMARIAS DO PARANÁ NO SÉCULO XVIII.
De Maria Lourdes Ritter.
A SOCIEDADE NOS CAMPOS DE CURITIBA NA ÉPOCA DA INDEPENDÊNCIA.
De Maria Lourdes Ritter.
ASPECTOS HISTÓRICOS E TURÍSTICOS DE PARANAGUÁ.
De Waldomiro Ferreira de Freitas
MONOGRAFIA SOBRE MORRETES.
De Zeia Nicolau Gonçalves
ROCHA POMBO.
De Walfrido Pilotto
A IMIGRAÇÃO ITALIANA EM MORRETES.
De Lúcio Borges

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ET. É oportuno esclarecer que o conteúdo do livro foi digitalizado em sua plenitude pelo IHGP - Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá, e transcrito por Marcos Pereira, em sua totalidade, para o Blogger "O Virtuoso".
*** Postado por Marcos Pereira - 29 de novembro de 2014.

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